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paraty em foco

entrevista

lugar nenhum – aqui, agora.

Rolando o instagram e olhando as imagens que os amigos mandam via whatsapp, para ilustrar, por exemplo, se a festa está animada, fiquei pensando sobre a maneira como estamos fazendo o uso da imagem hoje em dia. Sobra algum espaço para imaginação? O darwinismo deve estar a pleno vapor e as próximas gerações já virão com uma função cerebral capaz processar tantas informações visuais. No presente, alguns artistas já esboçam o futuro e propõem reflexões sobre o uso da imagem.

 

Courtney

 

Stacy
Julia 
Em 2011, no Festival de Fotografia Paraty em Foco conheci o trabalho da Laís Pontes. Usando recursos de cabelo e maquiagem e muito retoque digital, a fotógrafa nascida em Fortaleza, imaginou diferentes garotas. Ela mesma as encarna e se fotografa. “Comecei a me fotografar porque era mais fácil, já que eu estava disponível pra mim mesma o tempo todo”. Laís compõe a imagem e a publica no facebook e aguarda os comentários das pessoas a respeito das meninas. O projeto foi batizado de “Born Nowhere” (nascida em lugar nenhum, numa tradução literal).

 

 

Há cinco anos, quando o projeto começou, o instagram estava no começo. Hoje é uma rede social tão poderosa quanto o facebook e também foi incorporado ao projeto. A fotógrafa morava em Nova York e hoje está em Londres. Passou um tempo em Chicago, onde fez mestrado. Laís falou ao Moda pra Ler falou sobre a evolução do projeto.
As meninas

Criei 25 personagens. Gosto muito da Julia porque foi a primeira. Adoro quem ela é. A mais popular é a Courtney, ela é bonita e de bem com a vida. As pessoas gostariam de ser como ela, inclusive eu.

Encarnando as personagensElas surgem inspiradas em diferentes sentimentos: felicidade, raiva, ansiedade, saudade. Algumas representam fantasias sobre a vida alheia. Eu passo algum tempo atuando da maneira que penso que os personagens agiriam: vendo filmes, ouvindo música, indo a lugares que elas iriam e interagindo com pessoas que ela gostaria de ter como amigos. Escolho uma roupa e uma maquiagem baseada nesta personalidade que imaginei. Eu gasto de sete a 10 horas de photoshop para criar a estética de cada uma. Depois, posto no facebook e os usuários comentam as características delas e ajudam a delinear melhor a personalidade de cada uma, desde o nome até características psicológicas e a história de vida de cada uma. A partir dos comentários construo as biografias.
Referências não fotográficas
Atualmente as ideias dos meus trabalhos estão sendo influenciadas por filósofos mais do que por artistas. Marshall McLuhan e Zygmunt Bauman são referências constantes em meus projetos. A escrita dá suporte a estética do trabalho. As vezes a escrita é incorporada à estética, mas na maioria das vezes funciona como reflexões. Também tenho acompanhado e admirado cada vez mais artistas como a Penelope Umbrico, pela temática, o assunto que ela aborda, e a estética do seu trabalho; Sophie Calle pela obsessão por cada projeto; e Eduardo Kac pelo pioneirismo, profissionalismo, respeito aos próprios conceitos.
mundo real x mundo virtual
Como uso fatos da minha vida pessoal e fantasias, as pessoas nunca sabem o que é realidade ou não. As vezes a fantasia vira realidade também. Quando dei os personagens para outros participantes no projeto Born Now Here, a confusão aumentou. Recebi varias mensagens particulares de pessoas confusas pelos comentários no Facebook, Instagram e Tumblr. Um amigo deixou de falar comigo alegando que nunca sabia quem eu era na mídia social, apesar de ser também artista e de ter estudado comigo, então tanto me conhecia como conhecia os meus projetos.
Instagram
Utilizo o Instagram de duas formas. A primeira como ferramenta de criação, como plataforma social no projeto “The Girls on The Instagram”, @bornnowhere. E a segunda para divulgar os meus trabalhos @laispontes. Em “As Meninas no Instagram”, os personagens estão em todos os locais e suas identidades passam por constantes transformações dialogando com comportamentos da nossa sociedade. As aventuras de cada personagem são documentadas através de fotografias feitas por mim mesma e por outros participantes do projeto. Estas imagens não apenas trazem os personagens para o mundo físico, mas também dão vida às fantasias de quem as fotografa.

 

Born No where – Born Now Here
Em 2013 criei o Born Now Here (Nascida aqui e agora). Neste projeto em andamento, algumas meninas têm páginas próprias no facebook. Incorporo as atitudes dela no meu cotidiano. Todas as imagens são baseadas nos comentários dos internautas sobre a personalidade delas no facebook.
Stacy tomando cerveja na praia
Isto não é um #selfie
É complicado explicar a minha relação com a timidez e senso de privacidade. Acho que não sou mais tímida quando estou dando palestras ou aulas. É como se incorporasse um personagem quanto estou falando em público. A minha paixão pelo meu trabalho é maior do que a minha timidez, poderia explicar assim. Não gosto de falar da minha vida pessoal, apesar de usá-la constantemente durante o processo criativo. Comecei a me fotografar porque era mais fácil, já que eu estava disponível pra mim mesma o tempo todo. Depois percebi que os meus questionamentos não eram somente meus, então o uso da minha imagem ganhou um novo sentido muito mais abrange e importante para mim.
Figurino e maquiagem
A roupa e a maquiagem ajudam muito na performance. E as perucas eram partes essenciais no momento da criação. Em alguns personagens não as usei e confesso que foi muito mais difícil. Visto minhas roupas e comprei outras. Não consegui usar de novo as peças que faziam parte do meu guarda-roupa e vesti nas personagens. Era como se elas não me pertencessem mais.

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Exercício de escola feito com os trabalhos de Laís.

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textos feitos durante o festival de fotografia, Paraty em Foco

A moda é um caldeirão de inspirações, né? Às vezes um jargão vai bem para explicar um post que não é exatamente sobre moda ;).
Fui ao 7º Paraty em Foco, o Festival Internacional de fotografia na última semana, e percebi de fato que artistas, fotógrafo e videomaker são uma coisa só hoje em dia. Outra coisa: quando a gente fala da tal arte contemporânea, apenas ver as obras limita muito nossa compreensão. Como, em geral, são trabalhos que englobam muitas referências, foi uma grande oportunidade ver os próprios autores se explicando.
Eis uma seleção de textinhos que fiz para o blog do evento:
Trabalho da fotógrafa cearense Laís Pontes sobre estereotipos femininos e a percepção da pessoas manifestada na rede social

"Born Nowhere"© Laís Pontes

O jovem artista norte-americano lança um olhar muito peculiar sobre o comportamento sexual dos jovens e as manifestações na internet.

Evan Baden

Inglesa, e integrante do seleto grupo de fotógrafos da Agência Magnum, Olivia gosta de contar as histórias das mulheres do oriente.

Olivia Arthur

Uma espécie de João Gilberto (ou Dr. House) da fotografia, é um dos maiores artistas da atualidade. Em plena atividade, ele compartilhou suas inquetações.

As frases de Willy Biondani
Um veterano da publicidade, o fotógrafo e diretor de filmes deu conselhos valiosos aos jovens. Ah! ele já fez muita foto pra moda também.

Sonhos de Penelope

A artista norte-americana parece a Edna Modas do desenho “Os Incríveis”, mas quando se trata de criar seu negócio é praticar a reciclagem de imagens. Em um mundo povoado por bilhões de fotografias ela pratica uma atitude sustentável.

Penelope Umbrico

sem categoria

SPFW dos holandeses

meu último post como editora convidada do blog Paraty em Foco…

O São Paulo Fashion Week começou nesta segunda-feira e além dos desfiles abriga duas exposições de artistas holandeses. A escolha do país não é gratuita, 2011 é o Ano da Holanda no Brasil.

A primeira, e maior, chama-se “Pretty Much Everything”, está localizada no térreo do prédio da Bienal do Parque Ibirapuera, reúne 286 imagens de Inez Van Lamsweerde e Vinoodh Matadin, fotógrafos especializados em moda. Os dois vieram ao Brasil especialmente para a abertura da mostra. Eles são companheiros profissionais, e também um casal, há mais de 20 anos.

Inez Van Lamsweerde e Vinoodh Matadin©, fotografam e estrelam a campanha da linha masculina da grife francesa Lanvin

Grandes marcas e publicações incensadas, principalmente as de moda, confiam aos dois a responsabilidade de criar conceito e imagem para campanhas e editoriais. Também são retratistas requisitados (entre as publicações com as quais colaboram frequentemente descatado a V Magazine, “filha” mais comercial da Visionaire, ambas comandadas pela talentosa editora Cecilia Dean).


Lady Gaga na capa da V Magazine/ Inez Van Lamsweerde e Vinoodh Matadin©

Bjork na capa da Interview/ Inez Van Lamsweerde e Vinoodh Matadin©

Editorial para a Revista W/ Inez Van Lamsweerde e Vinoodh Matadin©

A dupla está em 15º no ranking de 50 forças criativas do mundo da moda lista do influente site Business of Fashion (só por curiosidade o topo da lista é encabeçado por outra dupla de fotógrafos, Mert Alas e Marcus Piggot). Tive a oportunidade de visitar a exposição hoje no evento e gostei muito. O casal é mesmo provocador no modo que compõem as imagens.

Kate Moss para a Another Magazine/ Inez Van Lamsweerde e Vinoodh Matadin©

campanha da grife francesa Chloé / Inez Van Lamsweerde e Vinoodh Matadin©


campanha da grife Yves Saint Laurent/ Inez Van Lamsweerde e Vinoodh Matadin©

Em recente entrevista do portal de moda FFW, Inez contou como dividem o trabalho.

É muito orgânico, nós fotografamos ao mesmo tempo. Vinoodh usa uma câmera Canon e eu uso uma Hasselblad. Eu dirijo a pessoa que está sendo fotografada, seja uma modelo ou um artista, uma celebridade. Ela olha para a minha câmera, há um contato direto entre a pessoa e eu. O Vinoodh fica mais móvel, anda pelo set e traz outro clima para a foto. O ponto de vista dele é mais voyeurístico. Às vezes fica muito claro quem tirou a foto, mas não importa se a imagem escolhida é minha ou dele. O importante é ter boas fotos, é fazer as imagens mais maravilhosas que pudermos.

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No terceiro andar está a segunda exposição “Connection 2010″ do artista Ruud Van Empel, ele também trabalha com fotografias, contudo, abusa da manipulação da imagem criando um efeito de pintura, com cores bem saturadas.



Para o trabalho final ficar deste jeito ele começa fotografando os modelos no estúdio, depois clica ambientes externos, e ainda produz imagens das roupas em manequins, depois junta tudo no mesmo plano.