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bomba de música e estilo

Liliana Saumet, em um dos shows da Bomba Estereo

A cantora colombiana Liliana Saumet é, digamos, da turma da M.I.A, da Lovexxx do CSS, ou da jovem Lurdez da Luz. Mulheres, com cara de menina, delicadas, adeptas de guarda-roupa do streetwear, idealistas e que não passam despercebidas. É daquele tipo que passa o show inteiro correndo de um lado a outro e não deixa ninguém ficar parado na platéia. Ela é a vocalista da Bomba Estéreo formada em 2005 em Bogotá.  A banda toca uma mistura de cumbia, rock, música eletrônica embaladas pela interpretação explosiva de sua “frontwoman”.

alguns figurinos de Liliana Saumet

O figurino da cantora é muito bem pensado. Antes de pular pra cima do palco, ela se formou publicitária em Bogotá, trabalhou como figurinista de tv e chegou ter sua própria marca de roupas. No começo da banda ela mesma desenhava seu figurino. Hoje ela conta com a ajuda de uma stylist, mas ainda continua garimpando roupas pelo mundo.

Liliana publicou no instagram seus garimpos por Berlim durante a última turnê européia 

As letras do Bomba Estéreo são sensíveis, críticas, divertidas, sexies e a música ótima para dançar. Li, como é chamada, tem uma voz feminina, forte, anasalada… Daquelas bem latinas. Os versos “Deja me llorar, ya estoy cansada de bailar y bailar” (me deixa chorar, já estou cansada de dançar e dançar), “Vengo de un bário tranquilo, por eso sinto dolor” (venho de um bairro tranquilo por isso sinto dor), juntaram o adorável dramão latino com beats modernos. Altamente apropriado e moderno. As letras são muito femininistas.  Vamos lembrar que ser mulher latina é muito duro, ainda.

Para ver e ouvir:

música nova – Mate a mi novio (matei meu namorado)

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Miles Davis, o stylist

Foto: Anthony Barboza©
Miles Davis mostra seu guarda-roupa, 1971
Foto: Anthony Barboza©

A moda conta histórias. Adoro bater nessa tecla aqui no blog. E a trama de hoje é protagonizada por Miles Davis (1926-1991).
Fui à exposição “Queremos Miles” que fica em cartaz até janeiro no SESC Pinheiros aqui em São Paulo. Para os amantes do célebre trompetista norte-americano, uma aula, com direito a partituras originais.  Como apreciadora de jazz, mas leiga nas frenéticas regras de dó-re-mi-fa-sol-la-si-dó que envolvem o gênero, preferi olhar a mostra com os olhos da moda. E também vi em Miles Davis um ícone de estilo.
Um dos blogs do jornal inglês “The Guardian” fez uma interessante retrospectiva do guarda-roupa do jazzista ano passado, quando os 20 anos de sua morte foram lembrados:

Davis foi o homem mais bem vestido do século 20. No início de sua carreira ele já customizava ternos que comprava na casa de penhores Brooks Brothers. Fazia entalhes da lapela, como o Duque de Windsor. A partir de 1949 ele adota o estilo “Ivy League“, apostando com força na alfaiataria européia. Nos anos 1960 ele prefere os ternos italianos slim-cut e mocassins. Ele sempre foi o mais estiloso no palco. Conseguiu manter a classe de sua jaqueta cáqui, mesmo suja de sangue, após o episódio de Birdland*. Na década de 1970, seu estilo acompanha a evolução funky do seu som, e como na música ele era o único homem que segurava uma calça boca-de-sino roxa e óculos de lentes hexagonais.

para continuar lendo o texto em inglês clique aqui
*No episódio de Birdland (1959), Davis se envolveu em uma briga e acabou preso. O motivo do conflito não era aparentemente forte para tamanha agressão. Ficou evidente que o motivo era racial.
O músico incorporou a sua comunicação visual mensagens de valorização a cultura afro-americana a partir dos anos 1960. Tudo a ver com com os fatos que marcaram a década, entre tantos, a luta e a morte de Martin Luther King e o movimento Pantera Negra.
Davis optou, por exemplo, por colocar modelos negras na capa dos seus discos. E seu visual também mudou. Deixou de lado o rigor da alfaitaria e começou a usar roupas mais hippies, muitos acessórios, a lá Jimi Hendrix, sem nunca perder o estilo e imprimir sua marca pessoal. A foto aí em cima, que integra a exposição, revela seu vasto guarda-roupa.
A exposição segue até o anos 1980, nessa época Miles adota o visual exagerado da década. Passa a usar jaquetas coloridas feitas em parceria com grandes nomes da moda como Gianni Versace.
Jaquetas de Miles Davis na Exposição do SESC Pinheiros
Em resumo: do jazz clássico dos anos 40, as batidas pop dos anos 80. Para cada cada novo elemento que agregava ao seu repertório musical, uma mudança de figurino. É certo que a a roupa dá uma forcinha na construção de um mito. Miles Davis sabia muito bem disso, e gostava.


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Amy, a dona de um estilo

Reprodução/Heidi Slimane©

Heidi Slimane©

No mundo da moda consumimos Amy Winehouse a exaustão lá pelos idos de 2007 e 2008. O álbum “Back to Black”, lançado em outubro de 2006, certamente embalou redações de veículos de imprensa por meses. Revistas, sites, programas de televisão reproduziram o visual pin-up da cantora em editoriais ou matérias. No you tube pipocam tutoriais de maquiagem que ensinam a reproduzir seu “make” .

A modelo brasileira Isabeli Fontana encarnou Amy Winehouse neste ensaio para Vogue Paris em fevereiro de 2008, clicado por Peter Lindbergh©

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Campanhas publicitárias também a fagocitaram. Até a Chanel se rendeu. Karl Lagerfeld, era fã da cantora e com seu toque de midas disseminou a “Amymania”, quando na coleção de outono inverno 2008 propôs um look inspirado na diva.
Credit: ANG/Fame©

Março de 2008: Amy no auge, entre Karl, as gêmeas Olsen e Bernard Arnault, o todo poderoso da LVMH



Chanel outono-inverno 2008

A modelo canadense Coco Rochas encarna a Amy delux da Chanel

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Chanel Paris-London 2008  Coco Rocha by Karl Lagerfeld (4)
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Aqui no Brasil, serviu de inspiração para o catálogo da joalheria Guerreiro:
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Magra, tatuada, com um cabelo escuro e muito volumoso no topo da cabeça, franjão, ostentava traços generosos de delineador nos olhos. Preferia saias, vestidos, shorts curtos e decotes. Gostava de marcar a cintura. Seu visual foi tão difundido que virou opção para festa a fantasia.
Ela se tornou um ícone fashion, sem precisar do respaldo grandes estilistas. Se formos analisar isoladamente, as roupas de Amy não tinham nada de inovador. Mas o visual se tornou genuíno porque somava a ingenuidade e juventude de uma menina em seus 20 e poucos, com o poder e a sensualidade de sua voz rouca.
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Terry Richardson©

É indiscutível que a vitalidade vocal e a personalidade de Amy explodiram como uma bomba mundo da música e da moda, ambos sempre ávidos por unanimidades. Ultimamente, quando aparecem são moldadas por jogadas de marketing, clipes polêmicos, figurinos extravagantes. Têm seu valor de imagem, sim, porém, lhes faltam alma. Vozes como a de Amy, carregadas de emoção, e de inquietude, são raras.
Reprodução/Heidi Slimane©

Heidi Slimane©
Não fui uma devota de Amy, contudo, quando conheci seu trabalho incluí-la na lista de cantoras completas. Além da voz poderosa elas têm outras qualidades: sabem escolher repertório e bons músicos para acompanhá-las.

(Confindencio aqui que a minha lista é encabeçada por Elis Regina. Adoro ver suas fotos e shows, cabelo curtinho e sorriso sincero. Contudo, o que me impressiona toda vez que escuto é sua capacidade de cantar dando risada, chorando, ou com a respiração se esvaindo para dar ritmo dramático a música. E isso sem nunca desafinar uma nota. Também uma unanimidade. Também intensa).

É triste Amy morrer prematuramente, e vítima de suas próprias atitudes. Ao mesmo tempo, quando acontece uma tragédia dessas sempre se levanta a questão:
quanto a necessidade sádica que a sociedade tem de se divertir com a vida dos outros, e com desgraça alheia, afeta personalidades sensíveis e transparentes?
Parecia ser o caso de Amy Winehouse. E pra piorar a situação ela nasceu na Inglaterra, país exportador da imprensa sensacionalista. Basta ver o atual escândalo envolvendo o News of the World para ter uma noção do perseguição implacável que a cantora sofria. Sua produção musical foi minguando e acabou ofuscada pelas suas noitadas e preferências narcóticas.
Amy Winehouse não morre imaculada, mas deixa um legado de estilo. E haverá releituras. Unanimidades se tornam clássicos.
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A cantora M.I.A. outra garota cheia de estilo gravou uma música chamada “27”, em homenagem a todos aqueles talentos que partiram com essa idade. Para ouvir clique aqui.