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Evita e Cristina

“Eva e Cristina nos dão asas”, essa mensagem aparece em outdoors espalhados por toda Buenos Aires. Em plena era Cristina Kirchner, a figura de Evita Perón continua viva. As duas são os grandes exemplos de mulheres fortes da Argentina.

A atual presidente argentina tem uma legião de seguidores e admiradores de sua conduta política, os chamados de “kirchneristas”. Quando o assunto é moda, por aqui se fala do “estilo Cristina”. O guarda-roupa da governante serve de inspiração para mulheres na casa dos 50 anos que continuam na ativa. Diferente de outras estadistas, ela não é escrava do tailleur. Usa brilho, rendas, e costuma trocar de roupa mais de uma vez por dia quando está viajando. E como figura pública, tal vaidade costuma ser alvo de críticas.

Dica: Vale dar uma espiada neste blog aqui… Te lo Juro por Louis Vuitton, especializado em analisar as roupas das “políticas” mundo a fora.

Entre os anos 40 e 50, outros “istas” estavam em voga. Os peronistas. Certamente Juan Domingo Perón, o mais célebre estadista argentino, não teria a mesma popularidade se não tivesse Evita ao seu lado. Chamada de “a mãe dos pobres”, a primeira dama era dona de uma postura forte, atuante, que contou muito a favor dos feitos do marido.

A vida de Evita virou musical da Broadway, filme com a Madonna, e na tv argentina é comum zapear algum documentário ou reportagem sobre ela. Evita vive.

Na moda ela também foi um grande ícone da década de 1940.  Resolvi visitar o Museu Evita pra espiar um pouco do seu figurino, e compartilho as fotos do acervo:
 

 

Ela não era dada a extravagâncias de estilo porque como primeira dama e líder política precisava manter uma imagem íntegra e imaculada.

Boas imagens de Evita: aqui

O Museu, infelizmente não aponta a procedência das roupas. Sabe-se, no entanto, que após uma viagem à Europa em 1947 ela voltou com o estilo renovado, e gostava muito de usar Dior.

aqui uma matéria para entender a força do Mito Evita.
E buscando na Internet achei esse artigo acadêmico que fala justamente do estilo célebre primeira dama.  Aqui um resumo: 
Os resultados apresentaram a identidade assumida através de símbolos da moda e suas adaptações em diferentes situações e lugares, metamorfose da identidade, no trajar de Evita que politicamente soube articular tão bem sem perder a sua própria identidade. Possibilitou um novo olhar para a moda onde a imagem do fútil deu lugar a um processo de comunicação e identificação social, política e econômica, verdadeiro papel da moda. Eva Maria Duarte nasceu na província de Los Toldos na Argentina, em 1919, de família humilde, foi conhecida mais tarde como evita Maria Duarte Perón – Evita Perón. A figura carismática de Evita não foi foco das atenções somente dos pobres e dos excluídos da Argentina durante esta década, ela chamava a atenção pela sua beleza e elegância, seus trajes, jóias, penteados, sapatos e acessórios em solenidades, viagens e seus discursos políticos inflamavam multidões. Em contraposição ao discurso político, as distorções de época, de guerra e muita recessão, contrastavam com o povo por quem ela dizia lutar. Mas após sua viagem à Europa Evita mudou o estilo típico do cinema glamour da época para tomar as rédeas do país e povo argentino. No aspecto social seu trabalho se desenvolveu na Fundação Eva Perón, mantida por contribuições de empresários e por doações que os trabalhadores. Criou hospitais, lares para idosos e mães solteiras, dois policlínicos, escolas, uma Cidade Infantil. Durante as festas de fim de ano distribuía sidra e panettone, socorria os necessitados e organizava torneios esportivos infantis e juvenis. Neste contexto, optou por um visual mais revolucionário prendeu os cabelos repuxando eles para traz, os vestidos foram substituídos por saias, blusas de tecidos menos delicados. Inspirou uma sociedade e todo um continente, é lembrada no Brasil como no exterior. A ostentação dos seus trajes foi marca de expressão da mulher argentina e latino-americana atribuindo a ela a sua moda e seu estilo pautados numa mídia popular, fez dela um ícone da moda de uma época. Conseguiu se comunicar com o mundo, quando se comunica, através do vestir com diferentes países.
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PENSE MODA 2011

Amanhã começa o Pense Moda. O evento que sempre promove discussões relevantes para o mundo fashion comemora cinco anos e mudou de endereço. Agora no MUBE traz os gringos: Arianne Philips, figurinista e stylist da Madonna; Cécile Coulout, a gerente de coleções de acessórios da Lanvin; e o talentoso estilista Phillip Lim.

E na quinta-feira (05/10) também acontece o lançamento do livro “Glamour”, de autoria da lendária Diane Vreeland e haverá um bate-papo entre a consultora de moda Gloria Kalil e o editor Charles Cosac, da Cosac & Naify, editora da versão nacional do livro.

ó o videozinho de divulgação do evento:

crédito do vídeo: Super Produções

Ano passado fiz a cobertura oficial do Pense Moda: vale a pena relembrar

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amy arbus e os primórdios da moda rua

Fotografar moda na rua virou uma febre na internet, mas essa prática não é de hoje.
Ontem a fotógrafa americana Amy Arbus participou do SP Photo Fest que aconteceu no Museu da Imagem e do Som aqui em São Paulo. Durante 10 anos ela fotografou as ruas de Nova York para a coluna “On the Street” do jornal Village Voice.

Amy durante sua palestra/ Crédito: blog sp photo fest

coluna “On the Street” do Village Voice

O Village é conhecido por ser há tempos um bairro bem descolado de Nova York. E Amy registrou personagens que fizeram história por lá e por Nova York. Até Madonna foi clicada pelas ruas da cidade.

Madonna em 1983. Virou a capa do livro de Amy




Fotos do livro “on the street”

O trabalho para o Village Voice virou um livro de mesmo nome da coluna, e com o subtítulo 1980-1990. E o livro virou um documentário que teve sua première mundial lá na SP Photo Fest. Espero que seja exibido novamente em algum festival por aí. Durante a 1h e 15 minutos Amy resgata o personagens fotografados e mostra o estilo deles 20 anos depois do clique. As pessoas contam como se vestiam na época e como era a vida nos anos 80.

O cenário era o seguinte: os estilistas japoneses como Rey Kawakubo da Comme des Garçons e Yohji Yamamoto começavam a influenciar a moda. Os ombros eram estruturados. O guarda-roupa masculino conquistou as mulheres. Havia espaço para o exagero. De certa forma o que acontecia em Nova York com esse pequeno o grupo de vanguarda frequentador do Village acabava reverberando como tendência para o mundo todo. As discotecas eram outra grande plataforma de lançamentos de modismos.

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Achei o documentário muito oportuno para esse momento da moda onde os anos 80 insistem em influenciar os estilistas. Essa semana foram divulgadas as fotos do segundo filme do Sex and The City com os figurinos “de época”. Pelo visto essa década tende a permear nossos imaginários mais um tempinho.

crédito: divulgação

Aqui é possível ver um preview do documentário (em inglês):

E aqui a palestra da Amy em duas partes no SP Photo Fest: