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benjamin e as roupas do Oscar

cena de “O Curioso Caso de Benjamin Button”
crédito: divulgação

No site Thread Bangers tem uma entrevista com a figurinista Jacqueline West, falando sobre o figurino de “O Curioso Caso de Benjamin Button”. Ela dá uma dica importante para quem aspira sua profissão e revela que a primeira condição para projetar o guarda-roupa de um personagem é “treinar o olho”. Para isso é muito importante assistir filmes, desfiles, visitar exposições de arte, andar bastante pelas ruas observando as pessoas. West foi indicada ao Oscar, mas quem levou a melhor foi Michael O’Connor de “A Duquesa”.

No filme estrelado por Brad Pitt e Cate Blanchett, o pai do protagonista Benjamin (Pitt) é dono de uma fábrica de botões que prosperou durante a segunda guerra mundial. E há uma alusão engraçada sobre a concorrência do zíper, aviamento em franca expansão de mercado na época. Olha uma breve história do zíper que achei na Super Interessante.

Foi o engenheiro e inventor americano Whitcomb Judson quem registrou em 1893 a primeira patente de um feixe tipo zíper, para substituir os laços das botas de cano alto. Era ainda um artefato rudimentar – uma seqüência de ganchos e furos. Talvez por isso, passou despercebido. Dezessete anos passaram-se até aparecer o zíper moderno, obra do engenheiro sueco-americano Gideon Sundback. Mas os primeiros fechos deram dor de cabeça: Não era fácil e fechar os colchetes e havia a necessidade de descosturá-los antes de lavar as roupas, para evitar a ferrugem. Essas dificuldades foram resolvidas com o uso de novos materiais nas zíper boots, criadas em 1923 pelo famoso fabricante de pneus B.F. Goodrich – o mesmo, por sinal, que cunhou o nome zípper, baseado no som que fazia ao fechar as suas botas de borracha.

“O Curioso Caso de Benjamin Button” ganhou pouquíssimas estatuetas, porque foi soterrado pela avalanche indiana “Quem quer ser um milionário?”. O Bom Retiro pelo jeito sabe das coisas.

O Oscar de maquiagem para Benjamin Button foi merecido. No site do filme http://www.benjaminbutton.com mostra detalhadamente o processo de envelhecimento.

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Não gostei do tapete vermelho do Oscar. Achei os vestidos sem graça. E a quantidade de tomara-que-caia? Gostei mesmo da roupa da Tilda Swinton de Lanvin, sensualidade menos óbvia. Muito elegante.

A festa da Vanity Fair, pós cerimônia, sem a necessidade dos longos, reservou looks melhores. Minhas favoritas são a (musa) Rachel Weisz de Narciso Rodriguez e a Kate Bosworth de Alexander McQueen.


No site http://www.redcarpet-fashionawards.com/, de onde tirei as fotos, tem tudinho sobre a moda das duas festas.

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I S2 linha e agulha

A turma do site nova-iorquino Thread Banger http://www.threadbanger.com pretende retomar os trabalhos manuais como forma de diferenciar o estilo. O legal do site é que a matéria prima é super fácil de conseguir e as receitas são mostradas passo a passo em vídeo. É uma grande inspiração para customizar o guarda-roupa…Tempos de crise 😉

É possível fazer uma calcinha estilosa usando uma camisa de flanela velha.

Ou um vestido a partir de uma camiseta.

dica para guardar bijuteria:

Os apresentadores são divertidíssimos, vale a pena navegar com calma. Ter uma máquina de costura e saber o básico é o primeiro passo para seguir os Thread Bangers.

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Falando em trabalhos manuais, em uma busca rápida pela internet encontra-se centenas de blogs de tricoteiras. Em cada um há centenas de links das colegas fãs das agulhasl e também do crochê. Para muitas, o espaço vitual vai além do debate sobre tricô e serve de diário.

Crédito da imagem: http://mitricot.blogspot.com/

Olha aí alguns exemplos cheios de links:
http://atricoteira.blogspot.com/
http://mitricot.blogspot.com/
http://wishingiwasknitting.blogspot.com/ obs: em inglês, traz fotos passo a passo
http://noveloseagulhas.blogspot.com/ ,
http://feitoamao.typepad.com/montricot/
http://parisknit.blogspot.com/ obs: tricoteira grávida conta como fez o enxoval do bebê.
http://www.masondixonknitting.com obs: em inglês
http://tentandotricotar.blogspot.com/

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Acredito que costureiras, crocheteiras e tricoteiras têm tudo para ganhar status daqui para frente. Comparando, em alguns anos as pessoas que se dedicam a essas tarefas manuais podem passar de cozinheiros a chefes de cozinha. Vai ter sucesso quem tiver tino comercial e diferencial criativo.

O tricoteiro Lucas Nascimento é um grande exemplo disso. Ele faz faculdade de tricô na Saint Martins e coloca as próprias mãos e agulhas na massa para criar peças inovadoras. Ele vêm conquistando estilistas da São Paulo Fashion Week e em Londres, onde vive, por elevar o tricô manual a item de passarela.

Lucas Nascimento nos retoques para o desfile da Neon Inverno 2009 – foto: Laura/ moda pra ler

Crédito: Márcio Madeira/ First View para lilianpacce.com.br
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A moda de cabeceira – livro sem figuras

Certa vez em uma palestra no SENAC o incrível professor João Braga contou que se informa sobre história da moda lendo ficção, filosofia e sociologia. Há um tempo venho exercitando essa caça a informação em lugares menos explícitos.

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Quando estava no colégio e era obrigada a ler os clássicos da literatura sempre pulava as partes das descrições para o livro acabar mais rápido. Muitos autores de ficção fazem uma descrição minuciosa do vestuário dos personagens e assim ambientam a época. Um dos traumas descritivos que sofri na ocasião foram com os autores do Romantismo, já que a narrativa descritiva é um das características desse período da literatura. Na época o maior responsável por essa aversão foi José de Alencar com sua obra “Senhora”.

A protagonista Aurélia passa o livro todo tentando driblar os padrões de comportamento da sociedade da época ao mesmo tempo que se faz de difícil para seu verdadeiro amor Fernando Seixas. O ritmo do flerte do século XIX, deixa qualquer adolescente louco.

Hoje um pouco mais crescidinha e trabalhando com moda vejo o quanto deixei de aprender na ocasião. Como são ricas as descrições do vestuário! Além de citar pontos de venda tradicionais da época. Olha um exemplo:

“Outra singularidade apresentava essa parte da habitação: era o frisante contraste que faziam com a pobreza carrança dos dois aposentos certos objetos, aí colocados, e de uso do morador. Assim no recosto de uma das velhas cadeiras de jacarandá via-se neste momento uma casaca preta, que pela fazenda superior, mas sobretudo pelo corte elegante e esmero do trabalho, conhecia-se ter o chique da casa do Raunier, que já era naquele tempo o alfaiate da moda. Ao lado da casaca estava o resto de um trajo de baile, que todo ele saíra daquela mesma tesoura em voga; finíssimo chapéu claque do melhor fabricante de Paris; luvas de Jouvin cor de palha; e um par de botinas como o Campas só fazia para os seus fregueses prediletos“.

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Pulando do século XIX para o XXI, hoje de manhã me deparo com essa descrição no texto do atualíssimo escritor João Paulo Cuenca, em seu blog.

“A DESENHISTA usa um vestido quadriculado azul e branco, daqueles que se parecem com panos de mesa”.

È o xadrez vichy que apareceu aos baldes nas últimas temporadas!!! Tá vendo como a literatura descreve a moda da época mesmo sem querer?

A lista de descrições encontradas nas milhares de obras ficcionais dá para fazer um blog temático por algumas gerações. Esse post é para alertar que você estudava história da moda antes de dormir e nem sabia.

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A literatura inspira a moda
Em 2007 fiz esse post sobre coleções inspiradas em livros. Vale a pena ler de novo!

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Ah! E nos livros como no cinema, às vezes o figurino muito rebuscado tira a atenção da história. Quando o personagem é bom mesmo, a descrição fica por nossa conta. Assim são as obras clássicas. Vão bem com qualquer traje e em qualquer época.