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livro

diga-me o que vestes, que te direi quem és

Fechando a trilogia (1, 2) de posts sobre os “novos” livros, durante visita rápida a mi Buenos Aires querido ♫, me encantei por “Grandes Vestimentas” do ilustrador portenho Javier Velasco (em uma de minhas livrarias favoritas por lá #dica). Em formato retangular, é um compilado de tiras temáticas com cinco desenhos de trajes célebres, seja pela roupa em si, ou por quem a usava.

“Grandes Vestimentas”, Javier Velasco (3 de 3)
 – clique na figura para ver a galeria de imagens

#bookdodia

O autor descreveu seu processo criativo, do primeiro rabisco ao livro:

“A ideia do livro surgiu há muitos anos. Um amigo apareceu com um suéter muito estranho e eu, de brincadeira, perguntei se ele tinha roubado do Bill Cosby. Como as pessoas que estavam na roda não ligaram a roupa a pessoa fiz um desenhinho rápido do suéter para explicar quem era.

personagens de TV dos anos 80

Não tenho interesse especial por roupa ou pela moda, mas gostava da ideia das vestimentas identificarem personagens e juntá-las por categoria. Na ocasião ainda não existia todas as facilidades da internet, então comecei a recortar revistas, mas dava muito trabalho e deixava minhas mãos coloridas de tinta. Com o tempo (e a internet) fui retomando o trabalho e postando as tiras no meu blog.

presidentes latino-americanos
líderes pela paz
punk
ídolos anos 90
pilotos
A Galería Editorial tinha vontade de publicar trabalhos meus. A ideia inicial não era esse livro, mas como as tiras estavam prontas foi mais fácil. Desenhei mais algumas para publicá-lo.

Hanna Barbera

figurinos lendários
sexy symbols
Percebi que é um livro que interessa muita gente, além dos fãs de quadrinhos ou de moda. Já vi gente tapando os nomes dos personagens para brincar de adivinhar”.
grandes estilistas – esse não tá no livro

***
Falando em Bill Cosby, teve até votação especial para eleger seu melhor suéter. Confira o resultado: http://billcosby.com/polls. No vídeo ele comenta o vencedor e outros tricôs emblemáticos:

entrevista, livro

o guia ilustrado do orgasmo feminino

Obs: Esse não é o (3 de 3) da série de posts sobre novos “livros” que estou fazendo, mas poderia ser.
Em francês “la petite mort” é a expressão utilizada para orgasmo. Ainda que o biquinho da pronúncia francesa deixe tudo mais charmoso, há um quê sombrio ao denominar o auge do prazer sexual “pequena morte”. Pois é.

Dividindo seu tempo entre Buenos Aires e Nova York a premiada ilustradora argentina Fernanda Cohen, 33, é a autora de “Guía Ilustrada del Orgasmo Femenino” (Ed. Livros del Zorzal, ainda sem tradução para o português).

#bookdodia

Fernanda Cohen – crédito: Horacio Agulla©

No currículo do artista estão desenhos para Gap, Tiffany’s, Coca-Cola, New Yorker, e um trabalho para a premiére do filme “Sex and The City” na Big Apple.
camiseta para GAP
garrafas para Coca-Cola Light

Ilustração para Tiffany & Co

A ideia do livro publicado em 2012 foi impulsionada durante um cruzeiro, sem grandes emoções, com seu ex-marido, mas principalmente por sua percepção em relação às enormes questões, culpas e tabus existentes em relação a sexualidade humana, e principalmente, no que toca ao prazer feminino.

Fernanda Cohen criou “Melba” uma menina-mulher que usa vestido vermelho, cinta-liga e penteado volumoso. Ela encena de um jeito delicado e didático as nuances do prazer feminino ao longo das 110 páginas da publicação.

Aliás, a versão francesa do livro foi chamada de “Pequeno Guia Malicioso do Prazer Feminino” (“Petit Guide Malicieux du Plasir féminin”). “O Guia da Pequena Morte” ia ficar pesado, né?

Por e-mail, desde Buenos Aires, ela respondeu a entrevista a seguir:

Foi seu primeiro trabalho com um tema ligado a sexualidade feminina?
Grande parte do meu trabalho tem uma carga de sensualidade, é inerente ao meu estilo. A série autoral “El água me moja” (“A água me molha”) é onde tal característica ficou mais evidente.

um dos trabalhos da série “El agua me moja”

E como surgiu a ideia do livro?
Em parte surgiu com o despertar natural da minha sexualidade aos meus 20 e poucos anos, e o tédio em um cruzeiro com o meu ex-marido, em 2009, contribuiu. Assim nasceram as primeiras vinte páginas, as quais com a ajuda de Daniel Divinsky (o editor do célebre quadrinho da Mafalda) se extenderam para 110 páginas, ganharam o prólogo do sexólogo Juan Carlos Kusnetzoff e chegaram ao público graças editor Leopoldo Kulesz da Libros del Zorzal.

E por que optou pela abordagem do orgasmo feminino com esse viés mais didático?
Porque é um tema universal e atemporal. A sexualidade humana é algo muito íntimo e intangível, é uma temática que sempre seguirá sendo delicada. Em sua vertente médica é demasiadamente levada a sério, e em geral é tratada como brincadeira, vulgarizada. Me intrigava tratar o tema de maneira séria, contudo, com abordagem leve e elegante, na qual algo tão intagível como o orgasmo pudesse ser visto pelo ângulo mais didático possível.

Você fez uma pesquisa científica sobre o orgasmo feminino para escrever o livro?
Trabalhei as minhas próprias noções do tema, que foram validadas pelo prólogo do Dr. Kusnetzoff para que o livro tivesse a informação 100% confiável. Comecei elencando os diferentes tipos de fantasias sexuais que nós mulheres costumamos ter e depois os coloquei em ordem cronológica para que o orgasmo feminino pudesse ser entendido do princípio ao fim.

Como criou a roupa e o penteado da protagonista do livro?
A Melba nasceu espontaneamente nesse cruzeiro que falei antes. Foi institivo, mas se paro para analisá-la creo que quis expressar algo inofensivo, uma menina, mas que por sua vez tivesse a malícia, expressa pela cinta-liga.

Você viveu em Buenos Aires e em Nova York. Consegue comparar a postura das mulheres e dos homens frente ao tema “orgasmo” nas duas sociedades?
Viva onde viva, eu sempre serei uma mulher argentina. Minha percepção diz que a mulher latino-americana, falando de modo geral, está menos estruturada com a sua sexualidade do que a estadounidense. Por outro lado, há uma obsessão pela mulher latina, a qual se vê nos filmes estrelados pela Salma Hayek, por exemplo. E o homem norte-americano, pela minha experiência, é mais tímido que o o argentino.

Como os leitores receberam o trabalho?
Há pouco tempo recebi um e-mail de um suiço que leu a edição francesa do livro e me agradeceu por fazê-lo entender mais a respeito da sexualidade feminina. Ele disse que se perguntou porque ninguém nunca havia contato nada para ele antes? Assim poderia ter tido outro comportamento com as mulheres. Achei divertido.

***
Falando no fetiche pela mulher latina, é importante lembrar que os casos feminicídios no continente são persistentes e alarmantes, e o estímulo da tara clichê pela mulher supostamente “caliente” não ajuda em nada.

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Texto originalmente publicado no Think Olga

entrevista, livro

drama para brincar

“Bonecas”, Duda Fonseca e Ana Vilar (2 de 3)
(continuando a série de posts sobre “novos” livros)

A boneca de papel com as roupinhas para recortar tem figurinos pra lá de temáticos no livro “Bonecas” (Ed. Mínimas, R$30,00). O look plano tem um acessório profundo: um poema.

“Se a gente prestar bastante atenção o mundo das bonecas é cheio de dramas. As bonecas sofrem nas mãos das crianças”, explica o autor Duda Fonseca. O projeto gráfico e as ilustrações são de Ana Vilar. A inspiração para os textos veio das “bonecas” da vida real.

 “Depois que fiz o primeiro verso (‘a bonequinha triste’) percebi que as bonecas poderiam render vários tipos. A ‘boneca alegre’, por exemplo, fiz para um garota que estava na pista de dança e não tinha um braço. A ‘hospitalizada’ foi para outra que era a maior gata, mas mesmo assim tinha colocado silicone que, a meu ver, não tinha a menor necessidade.

Booktrailer:

“A boneca da capa tem um lábio metade sorrindo e metade triste. Essa coisa de fofura 100% tá démodé”, observa Duda.

#bookdodia

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O autor mandou o poema desta nova boneca, inédito, e ainda sem figurino…

A bonequinha empoeirada

Semi-encoberta
por uma teia de aranha
a bonequinha empoeirada
nem achava ruim
a presença aracnídea
dentro de suas entranhas


Devido ao descaso
em seu trato
passou a ver o lado bom
de sua realidade empoeirada
torcendo pelo dia
em que a sua amiga aranha
completasse a teia que tecia
cobrindo-a finalmente
de dentro pra fora
dos pés à cabeça


Somente assim, pensava,
conseguiria romper a barreira do tempo
preservando-se da decomposição
deixando de ser uma boneca
relegada e imunda
para se tornar imortal:
uma múmia

***
Fato! A boneca fofinha tá demodê. E fenômeno infantil “Monster High”? Uma amiguinha de sete anos me explicou t-u-d-i-n-h-o sobre esse desenho cujos brinquedos são produzidos pela Mattel. As primas bizarrinhas da Barbie são monstras: frankenstein, zumbi, vampiro (“Draculaura” é o nome dela, hehe), lobismulher, mas, claro, continuam lindas, magras, sensuais, ricas e competitivas. Eita! Vê o que acha: