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Paris, maquiagem e adesivos: entrevista com Mily Serebrenik

Mily Serebrenik leva o glamour a sério. Ela é brasileira e trabalha como maquiadora na Europa há um tempão.  Antes de fazer a travessia do oceano “com duas malas” ela já dava suas pinceladas por aqui. Foi a maquiadora oficial da MTV Brasil nos primórdios da emissora. Em 2010 ela criou uma maquiagem-adesivo e hoje tem sua própria marca a “Mily Make Up©

cílios adesivos

Conheci a Milly brevemente na época que trabalhei no GNT Fashion e comecei a segui-la nas redes sociais. Desde o começo ela me chamou a atenção por parecer a Madonna em sua versão “Like a Virgin”, contudo, a curiosidade aumentou com o advento do instagram. Em sua conta ela costuma postar fotos #selfie com looks e makes glamurosos de verdade. Como este aqui:

Direto de Paris, ela saciou minha curiosidade sobre as tais fotos e sobre outros assuntos relativos à sua trajetória corajosa (tão ousada quantos seus looks) e à maquiagem na entrevista a seguir:

Como você começou a se interessar por maquiagem?
Quando era criança já cuidava muito bem dos cabelos e roupinhas das minhas bonecas. Nunca tive nenhuma boneca com cabelo estragado, nem careca, nem pelada e nem com a cara riscada e suja. sempre penteava as bonecas e as vezes cortava só a pontinhas do cabelo quando estavam ruins. Também gostava de ver a Cristina Franco falando de desfiles no Jornal Hoje e sempre via o Karl Lagerfeld atrás daquele leque. Aquilo me fascinava.

Como a maquiagem entrou na sua vida como profissão ? 
Foi a vida que me levou. Com 14 anos já cortava o cabelo dos amigos. Eram cortes punks, new wave, under-cut, ou aquele corte assimétrico, ou só as pontas mesmo. As vezes cortava os cabelos no banheiro da escola. Uma vez fiz um corte punk atrás da igreja do largo da batata ( que coisa, não? ). Com a mesma idade aprendi a fazer delineador para a apresentação do espetáculo de dança. Comecei a maquiar quando trabalhava na MTV. Fui convidada para arrumar os cabelos dos VJs, e com o tempo, e a necessidade, fui aprendendo. Quando morei em Nova York, trabalhei em um salão e tive a necessidade de usar um pouco de maquiagem ( fora o delineador ou o lápis e rímel) para ficar mais bonitinha para o trabalho em também passar o dia todo em um lugar com tanto espelho. 






Como foi sua trajetória como maquiadora profissional? 

Aos 18 anos, movida por uma força que já me pressionava a muito tempo fui morar em Nova York. Na verdade eu estava estudando francês porque gostava da língua e por alguns motivos tinha uma vaga ideia que na França tinha coisas relacionadas com a moda, mas não era muito consciente de tudo isto (não tínhamos todas estas informações tão claras que temos hoje sobre estas profissões. Na época as profissões mais artísticas eram arquitetura, publicidade e propaganda. O estudo de artes plásticas eles chamavam de “espera marido”). Uma vez li um artigo que me marcou muito sobre o Dris van Noten e também consegui chegar a conclusão que queria aprender a fazer sapatos na St. Martins School, mas claro que isto era totalmente inviável. Bom, depois de 6 meses estudando francês comuniquei a família que estava indo embora com uma passagem comprada graças a ajuda da vovó e que o resto eu ia me virar (sem nenhum tostão). Consegui uns1000 dólares, mas fui proibida de ir para a Europa por causa dos atentados, então uma amiga sugeriu que eu fosse para Nova York. Foram 3 anos muito intensos. Trabalhei como baby-sitter, lava louça, costureira e office-girl. Depois de 2 anos de NY, um ano cortando milhões de cabelos por dia no Jean Louis David, passei seis meses de Europa, deles três em Londres trabalhando em uma barbearia (aprendi também fazer barba com navalha).

 

Aí, você voltou ao Brasil? 
Voltei ao Brasil aos 21 e fui convidada pela Cristina Camargo (estilista), ex-colega de escola e amiga, para trabalhar na MTV, a emissora ainda não estava no ar. Era uma loucura! Horas intermináveis de gravação, um calor indescritível em uma casa sem ar condicionado e um casting de vj’s maravilhoso: Maria Paula, Cuca, Gastão, Thunder Astrid e Zeca Camargo. Eram muitas pessoas, até então, inexperientes em TV juntas.

Por que decidiu ir para a Europa? 
Acho que sempre voltamos as nossas raízes e aos nossos sonhos. O meu sonho era trabalhar no mundo da moda. Depois de 5 anos de MTV vendi tudo. Fiquei com duas malas incluindo pincéis, maquiagens e tesouras e fui morar em Berlim. Tinha uma prima morando lá. Em uma visita anterior a cidade fiquei apaixonada pela cidade e adoro alemão (o povo e a língua). Foi lá que fiz cursos de fotografia, fiz um book de hair & makeup e entrei em uma agencia. Depois de 8 anos entre Berlim e Hamburgo, já com muitos editoriais para muitas revistas e trabalhos para catálogos e desfiles, achei que já tinha feito tudo por lá e resolvi vir para Paris. A cidade é realmente um dos ou “o” grande centro da moda mundial. Estou aqui a 12 anos . Favor não fazer as contas, please.

 

Como é a vida para o maquiador aí? 
Quando cheguei em Paris havia uma divisão entre cabelo e maquiagem. Decidi pela maquiagem, mas no final sempre fiz as duas coisas. Para editoriais de beleza ou grandes campanhas faço só maquiagem. Acho que com a crise (econômica) as pessoas que antes só trabalhavam com a fotografia, agora têm tempo para se dedicar a outros trabalhos, como por exemplo blogs , revistas , consultorias ou suas próprias invenções e criações. Finalmente acaba sendo um trabalho que complementa o outro. Tudo de bom.

 

Aí há oportunidades de fazer maquiagens artísticas, mais ousadas? 
O meu trabalho na maquiagem é inseparável da fotografia. Trabalho para uma imagem, para uma foto (ou para um evento no qual o que restará são as imagens). A maneira de você vender roupas e cosméticos é por meio de imagens. O mundo da moda seduz por meio de uma fantasia ou um modo de vida de sonho. Conseguir criar uma imagem forte e passar uma mensagem especial é trabalho para uma equipe de grande qualidade.

E os adesivos? 
Os adesivos apareceram por causa de um projeto para divulgação do whisky Henessy Seria uma solução de maquiagem para as hostesses dos clubes no mundo todo, uma vez que não poderia fazer a maquiagem em todos os lugares. Os “eye flashes” existia no meu book, mas fazia com airbrush. O cliente gostou e quis igual. Os adesivos são bem aceitos em lugares como o japão, e londres. O Brasil também é um lugar que adora novidades. A França é um pouco conservadora. As mulheres preferem um look mais natural.



Estrelinhas, corações e bolinhas para colar no rosto

linha “Brésil Je T’Aime”





Você já maquiou celebridades? Quais?
 Sim. Tenho uma lista: Antonio Bandeiras, Lilian Pacce, Claudia Schiffer, Nadja Auermann, Tory Amos, Pierce Brosnan, Tatjana Patitz, Coco Rocha, Irina Lazarenu, Tilda Swinton, Isabelle Adjani… São os que lembro agora.

E as fotos que coloca no istagram super montada?
Adoro Paris principalmente por ter encontrado aqui pessoas muito interessantes. Pessoas que vivem as suas fantasias de glamour, de moda e de estilo de vida. A minha vida parisiense realmente tem um ar glamouroso. Meus amigos são obcecados por looks incríveis. Muitos trabalham na área da moda. São estilistas, costureiros, trabalham com roupas antigas e figurinos de teatro, outros são artistas performáticos e tem os pintores. Todo mundo muito ligado a historia da arte e da moda. As festas com estas pessoas são uma “orgia” de looks incríveis . Estar ligado à moda e à maquiagem diariamente, estimulamos nossa intuição, impulsos artísticos nesta direção, nos servindo também para as nossas próprias fantasias. Vale tudo para criar uma imagem incrível e viver este momento de admiração da beleza (ou da loucura).

entrevista, livro, televisão

Clarice Lispector + Luiz Fernando Carvalho

“Correio Feminino” é o novo projeto do diretor Luiz Fernando Carvalho. Inspirados em textos da Clarice Lispector, os oito episódios, com dez minutos de duração cada um, vão ao ar aos domingos dentro do Fantástico, com estreia prevista para o dia 27.
Maria Fernanda Cândido como “Helen Palmer” em “Correio Feminino”
O roteiro foi adaptado dos livros “Correio Feminino” (2006) e “Só Para Mulheres” (2008 – ambos da editora Rocco). São textos que a escritora assinou sob pseudônimos em épocas e jornais distintos. Ela usou três assinaturas: Tereza Quadros, para o jornal Comício em 1952; Helen Palmer, para o Correio da Manhã em 1959 e Ilka Soares, para o Diário da Noite em 1960. O escolhido pelo diretor para a versão televisiva foi o segundo, “nome com jeito de Twin Peaks”, diverte-se fazendo referência a falecida Laura Palmer, da série dirigida por David Lynch.
Maria Fernanda Cândido será Helen Palmer e as dicas serão transmitidas em um programa de rádio e TV. Porém, seu rosto quase não aparece. É sua voz que conduz Alessandra Maestrini, a ex-modelo Luiza Brunet e a top Cíntia Dicker, estreando como atriz. Elas representam respectivamente a mocinha, a jovem senhora e a mulher madura – faixas etárias contempladas nos conselhos de Clarice Lispector.
Luiz Fernando Carvalho é o diretor de “Hoje é Dia de Maria”, “Capitu”, “Afinal? O que querem as mulheres”, de novelas como “O Rei do Gado” e “Renascer”, além de sua obra prima, o longa “Lavoura Arcaica”, baseado no livro homônimo de Raduan Nassar (Tem que ver! Sério). Seus trabalhos são extremamente autorais e por isso participa intensamente de todas as etapas. Quando o ponto de partida é uma obra literária, busca máxima fidelidade à narrativa do autor. 
Durante a palestra que proferiu na Casa do Autor Roteirista, na última edição da FLIP, o diretor revelou que para a montagem da série “Os Maias”, convocou uma especialista em Eça de Queiroz para estar ao seu lado na ilha de edição e avaliar se os diálogos estavam condizentes com o que escreveria o autor português.
A seguir trechos da entrevista que fiz com o diretor e na qual ele falou sobre seu processo criativo em “Correio Feminino”, sobre a modernidade do texto de Clarice e sobre os sentimentos, que não mudam.

O diretor Luiz Fernando Carvalho,
entre Cíntia Dicker, Alessandra Maestrini (esq.), Maria Fernanda Cândido e Luiza Brunet
TV Globo/ Divulgação

A ideia e o formato
“Tenho este projeto faz uns três anos. Quando o criei não sabia exatamente que formato teria. Era uma coisa que girava na minha cabeça e que só depois de muito tempo chamei a Maria Camargo para escrever. Era interessante pensar a partir de uma máscara da Clarice: Helen Palmer, que, no meu modo de sentir, é em si mais que um pseudônimo. Na máscara, percebemos a própria Clarice escoando pelas frestas, nas entrelinhas. E esse desenho a Maria Fernanda Cândido descreveu, percorrendo o trajeto entre Clarice e Helen Palmer, com cumplicidade. Não fez simplesmente uma voz, uma narração, muito ao contrário, ela encarnou um jogo duplo, essa coisa híbrida que é a Helen Palmer. Desde sempre percebi que os Almanaques não teriam uma duração de dramaturgia, entre os 20 e 40 minutos, talvez por isso fiquei um tempo sem saber o que fazer com a ideia. Foi quando, por acaso, encontrei o Luiz Nascimento [Diretor do Fantástico] e ele me perguntou se eu não tinha um projeto. ‘Eu tenho a Helen Palmer’, respondi”.

#bookdodia



A narrativa

“Me interessou ser um diálogo, da Clarice criar um diálogo, ter uma proximidade, uma cumplicidade com as leitoras, como se fosse quase como um facebook da época. Entendi que no conjunto de conselhos dos almanaques Clarice ela falava temas para a mulheres jovens e maduras. A estrutura foi formada por três mulheres: uma praticamente pós-adolescente; uma jovem mulher, um pouco atrapalhada, cômica; e uma mulher madura, que poderia estar em um momento de crise existencial mais forte do que qualquer outras”.

Direção de Arte 
“A linguagem do projeto, do ponto de vista estético, é filhote das propagandas, dos ensaios de moda daquele período (anos 1950 e 1960). Nas revistas, encontrava-se página inteira amarela com a mulher vestida de vermelho, apoiada em um carro verde. Esse minimalismo das cores e do “não-cenário” era muito característico do excelente design de propaganda da época. Despojamos ao máximo de elementos visuais, centrando nas cores e nos figurinos para que “a voz” se tornasse preponderante”.
As três mulheres
“Pensei de imediato na Luiza (Brunet). Faz algum tempo que pensava em trabalhar com ela, que sempre me pareceu uma mulher repleta de emoções, a beira de precipitar-se. Luiza traz um certo ar de época, de beleza clássica, que eu considerava uma referência fundamental para a estética do trabalho. Posso dizer, sem medo de errar, que Luiza é quem dá o tom, quem talvez até tenha me dado o tom de como fazer a coisa toda, desde o momento que a escolhi. Depois dela foi fácil imaginar as pontas da narrativa, não que as pontas não sejam importantes. São fundamentais, mas a Luiza é o centro de tudo, é uma referência do passado e ao mesmo tempo do futuro.

Luiza Brunet
TV Globo/ Divulgação

Andando pela rua, a vi (Cintia Dicker) em uma propaganda. Fiquei encantado pelo carisma que sua imagem exalava. Sem falar naquelas cores: os cabelos avermelhados, a pele salpicada de canela, os olhos azul piscina. Mas foi só um instante, logo tudo isso se revelou apenas como uma moldura. Cintia é pura sensibilidade, o oposto do que seria uma modelo deslumbrada com sua beleza.

pergunta: O fato da Luiza e da Cintia trabalharem como modelo pesou na decisão, uma vez que a estética do projeto tem a ver com as propagandas dos anos 1950? Sim, isso me orientou muito. Mas gosto de pensar que a atuação das duas se completa com o contraponto encantador da Alessandra Maestrini, que traz uma interpretação de bailarina, de cinema mudo, com um frescor de comediante chapliniana”.

Alessandra Maestrini
TV Globo/ Divulgação


temas eternos 
“Existe algumas passagens e alguns conceitos (presentes nos textos) que caíram. Alguns eram machistas e ultrapassados, por questões morais, a sociedade já tinha superado. Como resultado final acho incrível a modernidade do texto da Clarice. Parece que foi escrito ontem. A verve, a limpeza, o despojamento. E a modernidade de certas questões. Até para gente refletir e ver que muita coisa não mudou. Tivemos grandes avanços, mas também temos grandes paralisias. Acho que os textos escolhidos espelham esses pontos que continuam absolutamente iguais. Não por um atraso da sociedade, mas por condição humana mesmo. Amar alguém. Ser amado de volta. Desejar alguém e ser desejado. Resolver a crise do relacionamento. A roupa para ir ao primeiro encontro. Não importa a classe social dessa mulher, não importa se ela é antenada, se ela é estudada, se ela fez pós-graduação. Aconteceu em 1800, em 1950 e vai acontecer em 2300. As questões sobre afeto e relações humanas são eternas. Achei legal cortejar essa perenidade do texto da Clarice. Somos modernos, pós-modernos… Será”?

As roupas e o tipo…

(…)Exemplifiquemos. Uma jovem muito tímida deseja aparecer, anseia por ser admirada e ocupar lugar de destaque na admiração de todos. Essa jovem, um tipo delicado, fino, procura quebrar a harmonia de sua silhueta usando um vestido ousado, de cor e modelo contrastantes com seu tipo suave e delicado. Com essa preferência está demonstrando insatisfação consigo mesma, não por possuir um tipo de ingênua, mas porque não consegue atrair atenção masculina.
(Correio Feminino)

A representação do feminino e o amor
“Muitas vezes você tem a figura feminina, mas sem ter a sensibilidade feminina. Ter uma diretora mulher não significa ter um olhar feminino. No Rio de Janeiro, muitas jovens lindas são absolutamente machistas. Moldam seus corpos para desejo masculino. O rosto não é dela. A bunda não é dela. São do cara que ela deseja. Se transformaram em figuras sem subjetividade. E isso no século que estamos. Neste ponto acho moderna a reflexão da Clarice de ‘estar vestida com o seu sentimento’. Ela fala: ‘mas se você quer uma ajudinha maior: usa uma fita amarela’ (referência ao primeiro episódio da série). A fita amarela é para te deixar mais segura, para ter fé. Fé no amor”.

*** 






TV Globo/ Divulgação




E o figurino?
Luciana Buarque e Thanara Schönardie foram as responsáveis por criar o guarda-roupa da série. Elas contaram como foi:

Referências e inspirações

Thanara: O Luiz pediu um editorial de moda. Usamos as edições da Vogue Americana dos anos 1950 e as propagandas do período também. Pesquisamos no acervo on-line da revista. Nos editoriais da Vogue tinha um gestual, formas gráficas, propostas pelo próprio corpo feminino. Além das orientações do Luiz, pensamos muito na figura da Helen Palmer, ou seja, da Clarice. Ela é a mulher idealizada da escritora para conversar com esse público feminino, que não é o seu público original da literatura. As três personagens (a menina-moça, a jovem senhora e a mulher madura) seriam as mulheres ideais, que colocam em prática os conselhos.
Clarice, a stylist
Luciana: A gente foi se deparando com várias menções da Clarice sobre os hábitos de indumentária da época. Tinha trechos nos quais ela falava das cores, do xadrez. Abusávamos de elementos de vestuário típico dos anos 1950 na mais velha, e já introduzíamos itens dos anos 1960 na adolescente. Uma situação de praia, por exemplo, a senhora usava um maiô e a menina já usaria um biquíni. E quando não tinha uma dica da Clarice a gente propôs.

Cores e Formas
Thanara: Tivemos o cuidado de todas terem a mesma paleta com intensidade diferentes. A mais jovem usa tons mais claros, a madura mais escuras e a “jovem senhora” tons intermediários entre as duas. Elas têm uma profusão grande de sentimentos, desejos e vontades que traduzimos em volumes amplos e cinturinha marcada.

A cor do glamour
Tecnicamente, o preto é a inexistência. Mas, em termos de moda feminina, é a cor do momento, ultrapassando as outras todas em sedução e elegância. Deixando de ser agora prerrogativa do inverno, é a cor que será usada também neste verão, não de maneira clássica e discreta, mas para ser ultrachic e encabeçar as tendências as tendências da moda. (Correio Feminino)
Elegância e Beleza depois dos 40
(…) Se você já passou dos 40, então, muito cuidado. Já não é uma mocinha, e precisa manter viva a sua atração feminina. Sem ridículo, é claro! Uma das proibições, por exemplo: cor vermelho vivo. O vermelho é uma cor gritante, que chama atenção, e sua beleza, depois dessa idade, deve ser discreta,  ser “descoberta” aos poucos, nunca exposta assim. (Correio Feminino)
O que você não deve usar
Se você é morena, não use certos tons de verde e fuja do marrom e do bege como o diabo foge da cruz. Evite igualmente o preto, se estiver muito queimada da praia; neste caso, prefira o branco que realçara e dará vida ao seu bronzeado. (Só Para Mulheres)





entrevista, livro

o guia ilustrado do orgasmo feminino

Obs: Esse não é o (3 de 3) da série de posts sobre novos “livros” que estou fazendo, mas poderia ser.
Em francês “la petite mort” é a expressão utilizada para orgasmo. Ainda que o biquinho da pronúncia francesa deixe tudo mais charmoso, há um quê sombrio ao denominar o auge do prazer sexual “pequena morte”. Pois é.

Dividindo seu tempo entre Buenos Aires e Nova York a premiada ilustradora argentina Fernanda Cohen, 33, é a autora de “Guía Ilustrada del Orgasmo Femenino” (Ed. Livros del Zorzal, ainda sem tradução para o português).

#bookdodia

Fernanda Cohen – crédito: Horacio Agulla©

No currículo do artista estão desenhos para Gap, Tiffany’s, Coca-Cola, New Yorker, e um trabalho para a premiére do filme “Sex and The City” na Big Apple.
camiseta para GAP
garrafas para Coca-Cola Light

Ilustração para Tiffany & Co

A ideia do livro publicado em 2012 foi impulsionada durante um cruzeiro, sem grandes emoções, com seu ex-marido, mas principalmente por sua percepção em relação às enormes questões, culpas e tabus existentes em relação a sexualidade humana, e principalmente, no que toca ao prazer feminino.

Fernanda Cohen criou “Melba” uma menina-mulher que usa vestido vermelho, cinta-liga e penteado volumoso. Ela encena de um jeito delicado e didático as nuances do prazer feminino ao longo das 110 páginas da publicação.

Aliás, a versão francesa do livro foi chamada de “Pequeno Guia Malicioso do Prazer Feminino” (“Petit Guide Malicieux du Plasir féminin”). “O Guia da Pequena Morte” ia ficar pesado, né?

Por e-mail, desde Buenos Aires, ela respondeu a entrevista a seguir:

Foi seu primeiro trabalho com um tema ligado a sexualidade feminina?
Grande parte do meu trabalho tem uma carga de sensualidade, é inerente ao meu estilo. A série autoral “El água me moja” (“A água me molha”) é onde tal característica ficou mais evidente.

um dos trabalhos da série “El agua me moja”

E como surgiu a ideia do livro?
Em parte surgiu com o despertar natural da minha sexualidade aos meus 20 e poucos anos, e o tédio em um cruzeiro com o meu ex-marido, em 2009, contribuiu. Assim nasceram as primeiras vinte páginas, as quais com a ajuda de Daniel Divinsky (o editor do célebre quadrinho da Mafalda) se extenderam para 110 páginas, ganharam o prólogo do sexólogo Juan Carlos Kusnetzoff e chegaram ao público graças editor Leopoldo Kulesz da Libros del Zorzal.

E por que optou pela abordagem do orgasmo feminino com esse viés mais didático?
Porque é um tema universal e atemporal. A sexualidade humana é algo muito íntimo e intangível, é uma temática que sempre seguirá sendo delicada. Em sua vertente médica é demasiadamente levada a sério, e em geral é tratada como brincadeira, vulgarizada. Me intrigava tratar o tema de maneira séria, contudo, com abordagem leve e elegante, na qual algo tão intagível como o orgasmo pudesse ser visto pelo ângulo mais didático possível.

Você fez uma pesquisa científica sobre o orgasmo feminino para escrever o livro?
Trabalhei as minhas próprias noções do tema, que foram validadas pelo prólogo do Dr. Kusnetzoff para que o livro tivesse a informação 100% confiável. Comecei elencando os diferentes tipos de fantasias sexuais que nós mulheres costumamos ter e depois os coloquei em ordem cronológica para que o orgasmo feminino pudesse ser entendido do princípio ao fim.

Como criou a roupa e o penteado da protagonista do livro?
A Melba nasceu espontaneamente nesse cruzeiro que falei antes. Foi institivo, mas se paro para analisá-la creo que quis expressar algo inofensivo, uma menina, mas que por sua vez tivesse a malícia, expressa pela cinta-liga.

Você viveu em Buenos Aires e em Nova York. Consegue comparar a postura das mulheres e dos homens frente ao tema “orgasmo” nas duas sociedades?
Viva onde viva, eu sempre serei uma mulher argentina. Minha percepção diz que a mulher latino-americana, falando de modo geral, está menos estruturada com a sua sexualidade do que a estadounidense. Por outro lado, há uma obsessão pela mulher latina, a qual se vê nos filmes estrelados pela Salma Hayek, por exemplo. E o homem norte-americano, pela minha experiência, é mais tímido que o o argentino.

Como os leitores receberam o trabalho?
Há pouco tempo recebi um e-mail de um suiço que leu a edição francesa do livro e me agradeceu por fazê-lo entender mais a respeito da sexualidade feminina. Ele disse que se perguntou porque ninguém nunca havia contato nada para ele antes? Assim poderia ter tido outro comportamento com as mulheres. Achei divertido.

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Falando no fetiche pela mulher latina, é importante lembrar que os casos feminicídios no continente são persistentes e alarmantes, e o estímulo da tara clichê pela mulher supostamente “caliente” não ajuda em nada.

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Texto originalmente publicado no Think Olga