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o figurino de Califórnia

A garota se aproxima do garoto pouco popular da escola que também curte música alternativa e livros “cabeçudos”. O relacionamento acontece na surdina. Ela não revela a nova amizade ao grupo de amigas porque ainda não é corajosa o suficiente para confrontar o círculo social pré-estabelecido da escola. Essa sucessão de fatos é parte da história de Estela, personagem principal do filme “Califórnia” da Marina Person.

fotos: Califórnia/ divulgação.

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A diretora Marina Person e o elenco do filme

Ambientado nos anos 1980, ao contrário do que o título pode sugerir, não se trata de um roadmovie no estado norte-americano mais vanguardista. As rotas da protagonista se restringem ao cotidiano de uma adolescente de classe média em São Paulo – ainda sob o controle do pai severo, vivido por Paulo Miklos.

Stela (Clara Gallo)  troca sua festa de quinze anos por uma viagem para à Califórnia, onde Carlos (Caio Blat), o “tio legal” e moderno, vive e trabalha como jornalista. Pregado em um mural de cortiça em seu quarto, ela cultua o mapa do estado como o um pôster de ídolo de rock. A correspondência com o parente querido acontece por meio de envios de fitas K7 gravadas, nas quais ela narra seu cotidiano e suas aventuras.

A tão sonhada viagem é subitamente adiada. O tio volta ao Brasil às pressas, visivelmente debilitado. A história mostra as descobertas da adolescência de Estela transcorrendo em meio a estadia polêmica do tio e ao som de David Bowie e The Cure. Um filme sensível, que mostra as questões da adolescência, como a “primeira vez”, de uma maneira bem natural e delicada, além de abordar a questão do tabu da AIDS que pautou a década. A internet pode ter mudado a dinâmica das relações dos jovens, mas as questões relativas ao amadurecimento continuam universais.

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Figurino

Em “Califórnia”, o figurino é um complemento importante na história, bem como detalhes da direção de arte que chancelam os hábitos da década. Por exemplo, ninguém usava cinto de segurança no carro.

Estela aparece usando uma camiseta da Fiorucci, a marca italiana dos dois anjinhos, trazida ao Brasil pela consultora de moda Gloria Kalil e da TKTS, na versão com a gola cortada, outro hit da época. A segunda grife se tornaria uma febre nos colégios de classe média paulistanos no começo dos anos 1990, quando lançou uma camiseta estampada com um cachorro mostrando a língua.

Lelê Barbieri foi a responsável pelo figurino de “Califórnia”. No seu currículo há outras produções nacionais de destaque como “Bruna Surfistinha”, “Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios” e “Homens são de Marte e é pra lá que eu vou”. Nas horas vagas, ela também desenvolve a grife “Maiô”, especializada na peça título.

Falando em maiô, o New York Times avisou que o maiô está em alta. E tem muita gente trocando as duas peças pela peça única.

Em seu site pessoal ela disponibilizou um painel de referências, o mood board, do figurino de Califórnia.

Em entrevista por e-mail, direto do Rio de Janeiro, onde ela está a pleno vapor em mais uma produção, ela contou como foi o processo de criação do figurino do filme ao lado da diretora Marina Person.

Como foi o processo da pesquisa?
Lelê Barbieri: Fizemos uma preparação de 6 semanas antes das filmagens. Além do estudo do roteiro, estudamos a época que o filme se passa. A década de 80 foi inovadora em muitos aspectos culturais e comportamentais, e extremamente criativo na moda. Além de pesquisas em revistas, jornais, vídeos, usamos muito a experiência de quem viveu a juventude nos anos 80. A Marina e a Mara (Diretora de Arte) nos trouxeram, além de muitas histórias, fotos delas e dos amigos nos anos 80. A partir destas imagens e relatos, foi mais fácil construir um figurino bem realista para imprimir a época.

Explica como pensou os figurinos do núcleo de amigos da Estela (a protagonista)?
A Estela se sente mesmo um pouco diferente das amigas, esta é uma questão da personagem no filme. Ela vive uma fase de descobertas e naturalmente, a caracterização, figurino e maquiagem, acompanham essa trajetória, que começa o filme um pouco sonhadora e vai amadurecendo do decorrer dos acontecimentos da sua juventude. Ela ama música e isto é muito presente no seu figurino, e no seu comportamento. As camisetas de banda, como The Police ou do David Bowie são peças muito importantes no guarda roupa da personagem. Já admiração pelo Tio Carlos, é “simbolizada” no moletom que ele traz da Califórnia de presente e que ela usa em vária situações. Também é a música que aproxima os personagem Estela e JM. A caracterização do JM é a que mais destoa entre os personagens. Joy Division, The Cure , foram inspiração neste caso. Ele usa uma silhueta oversize, está sempre de preto, usa jaquetas, sobretudo e coturno. Na turma do colégio procurei acompanhar as características de cada personagem no figurino. A Alessandra é a amiga mais “saidinha”, ela usa roupas mais justas, curtas, com mais pele aparecendo. Já a Joana é mais “romântica” Um macaquinhos estampas e cores mais infantis.

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E os cabelos?
Anna Van Steen (maquiadora): O da Estela estava bem claro na cabeça da Marina. Um Chanel mais curto na nuca. A colaboração que adicionei foi desconstruir um pouco a linha reta do corte para criar despontados dando movimento através do desalinho. O descabelado do JM foi super inspirado no estilo da banda “The Cure”, embora o corte tenha acontecido no intuito de deixar o ator interessante, favorável ao rosto dele em vez de copiar especificamente alguém”.

 

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E o figurino do tio Carlos (personagem de Caio Blat)?
O figurino do Tio Carlos, tem 2 momentos, na primeira parte do filme, é um figurino leve, alegre, mais praia, Califórnia. Conforme a doença vai se agravando ele fica mais sóbrio, sem cor e desconstruído.

 

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A diretora chegou com referências ou você pensou tudo sozinha? Como foi o processo de desenvolvimento?

Foi um trabalho em conjunto, o conceito do figurino não foi desenvolvido com foco na moda isoladamente. A cultura, o comportamento e até os acontecimentos políticos da época, foram importantes para compor todos personagens do filme. Além das nossas pesquisas individuais, contamos com uma pesquisa maravilhosa, feita pela Silvana Jehá. A Marina, além de acompanhar tudo de perto, deu uma ajuda essencial para compor o figurino, com peças dela, de pessoas da família, além da Mara, diretora de Arte.

 

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moletom colorido da foto tem destaque no figurino filme

 

E o moletom que o tio dá de presente à Estela? É bem importante no filme. Como conseguiu?
O moletom não é da época, mas se encaixou muito bem no guarda roupa da Estela. Ele tem um valor simbólico. Foi comprado pela Marina, na Califórnia.

entrevista

lugar nenhum – aqui, agora.

Rolando o instagram e olhando as imagens que os amigos mandam via whatsapp, para ilustrar, por exemplo, se a festa está animada, fiquei pensando sobre a maneira como estamos fazendo o uso da imagem hoje em dia. Sobra algum espaço para imaginação? O darwinismo deve estar a pleno vapor e as próximas gerações já virão com uma função cerebral capaz processar tantas informações visuais. No presente, alguns artistas já esboçam o futuro e propõem reflexões sobre o uso da imagem.

 

Courtney

 

Stacy
Julia 
Em 2011, no Festival de Fotografia Paraty em Foco conheci o trabalho da Laís Pontes. Usando recursos de cabelo e maquiagem e muito retoque digital, a fotógrafa nascida em Fortaleza, imaginou diferentes garotas. Ela mesma as encarna e se fotografa. “Comecei a me fotografar porque era mais fácil, já que eu estava disponível pra mim mesma o tempo todo”. Laís compõe a imagem e a publica no facebook e aguarda os comentários das pessoas a respeito das meninas. O projeto foi batizado de “Born Nowhere” (nascida em lugar nenhum, numa tradução literal).

 

 

Há cinco anos, quando o projeto começou, o instagram estava no começo. Hoje é uma rede social tão poderosa quanto o facebook e também foi incorporado ao projeto. A fotógrafa morava em Nova York e hoje está em Londres. Passou um tempo em Chicago, onde fez mestrado. Laís falou ao Moda pra Ler falou sobre a evolução do projeto.
As meninas

Criei 25 personagens. Gosto muito da Julia porque foi a primeira. Adoro quem ela é. A mais popular é a Courtney, ela é bonita e de bem com a vida. As pessoas gostariam de ser como ela, inclusive eu.

Encarnando as personagensElas surgem inspiradas em diferentes sentimentos: felicidade, raiva, ansiedade, saudade. Algumas representam fantasias sobre a vida alheia. Eu passo algum tempo atuando da maneira que penso que os personagens agiriam: vendo filmes, ouvindo música, indo a lugares que elas iriam e interagindo com pessoas que ela gostaria de ter como amigos. Escolho uma roupa e uma maquiagem baseada nesta personalidade que imaginei. Eu gasto de sete a 10 horas de photoshop para criar a estética de cada uma. Depois, posto no facebook e os usuários comentam as características delas e ajudam a delinear melhor a personalidade de cada uma, desde o nome até características psicológicas e a história de vida de cada uma. A partir dos comentários construo as biografias.
Referências não fotográficas
Atualmente as ideias dos meus trabalhos estão sendo influenciadas por filósofos mais do que por artistas. Marshall McLuhan e Zygmunt Bauman são referências constantes em meus projetos. A escrita dá suporte a estética do trabalho. As vezes a escrita é incorporada à estética, mas na maioria das vezes funciona como reflexões. Também tenho acompanhado e admirado cada vez mais artistas como a Penelope Umbrico, pela temática, o assunto que ela aborda, e a estética do seu trabalho; Sophie Calle pela obsessão por cada projeto; e Eduardo Kac pelo pioneirismo, profissionalismo, respeito aos próprios conceitos.
mundo real x mundo virtual
Como uso fatos da minha vida pessoal e fantasias, as pessoas nunca sabem o que é realidade ou não. As vezes a fantasia vira realidade também. Quando dei os personagens para outros participantes no projeto Born Now Here, a confusão aumentou. Recebi varias mensagens particulares de pessoas confusas pelos comentários no Facebook, Instagram e Tumblr. Um amigo deixou de falar comigo alegando que nunca sabia quem eu era na mídia social, apesar de ser também artista e de ter estudado comigo, então tanto me conhecia como conhecia os meus projetos.
Instagram
Utilizo o Instagram de duas formas. A primeira como ferramenta de criação, como plataforma social no projeto “The Girls on The Instagram”, @bornnowhere. E a segunda para divulgar os meus trabalhos @laispontes. Em “As Meninas no Instagram”, os personagens estão em todos os locais e suas identidades passam por constantes transformações dialogando com comportamentos da nossa sociedade. As aventuras de cada personagem são documentadas através de fotografias feitas por mim mesma e por outros participantes do projeto. Estas imagens não apenas trazem os personagens para o mundo físico, mas também dão vida às fantasias de quem as fotografa.

 

Born No where – Born Now Here
Em 2013 criei o Born Now Here (Nascida aqui e agora). Neste projeto em andamento, algumas meninas têm páginas próprias no facebook. Incorporo as atitudes dela no meu cotidiano. Todas as imagens são baseadas nos comentários dos internautas sobre a personalidade delas no facebook.
Stacy tomando cerveja na praia
Isto não é um #selfie
É complicado explicar a minha relação com a timidez e senso de privacidade. Acho que não sou mais tímida quando estou dando palestras ou aulas. É como se incorporasse um personagem quanto estou falando em público. A minha paixão pelo meu trabalho é maior do que a minha timidez, poderia explicar assim. Não gosto de falar da minha vida pessoal, apesar de usá-la constantemente durante o processo criativo. Comecei a me fotografar porque era mais fácil, já que eu estava disponível pra mim mesma o tempo todo. Depois percebi que os meus questionamentos não eram somente meus, então o uso da minha imagem ganhou um novo sentido muito mais abrange e importante para mim.
Figurino e maquiagem
A roupa e a maquiagem ajudam muito na performance. E as perucas eram partes essenciais no momento da criação. Em alguns personagens não as usei e confesso que foi muito mais difícil. Visto minhas roupas e comprei outras. Não consegui usar de novo as peças que faziam parte do meu guarda-roupa e vesti nas personagens. Era como se elas não me pertencessem mais.

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Exercício de escola feito com os trabalhos de Laís.

entrevista

maquiagem-arte: entrevista com Theo Carias

maquiagem de massinha por @theocarias1

Intro.

O dia em que você olhou um retrato seu, tirado na surdina por terceiros, e percebeu que a cútis não tem mais o mesmo desempenho sobre o flash chegou. O Dorian Gray interno despertou e fez o pacto com BB Cream. É árdua a tarefa de admitir que o tempo está passando. O alívio vem quando fuçando na banca de jornal a matéria “bisturi de verão” (tipo tendência de plástica da estação) ainda lhe parece surrealista. Por hora viva o avanço da tecnologia cosmética indolor.

Mas e o “efeito batom”? Ele pode estar influenciando nossos desejos de consumo por produtos de beleza? Esse comparativo econômico (primo do índice Big Mac) analisa o desempenho da economia mundial sob o recorte do mercado da beleza. Quando a economia está em crise é mais comum comprar itens de beleza que costumam ser mais baratos do que as roupas, por exemplo. Se for mensurar todos os tutoriais de maquiagem do youtube publicados desde o inicio da crise dos EUA em 2008 até hoje, “efeito batom” é  um terremoto. Lembrando que para as grandes marcas de luxo as linhas de beleza são estratégicas. Não tem dinheiro para o tailleur? Um esmalte resolve seu desejo por Chanel.
A súbita necessidade por maquiagem me despertou também muita curiosidade sobre como o tema é abordado e retratado no mundo da moda. Fuçando nos meus livros encontrei um chamado “Extreme Beauty em Vogue”, que ganhei de Natal do meu irmão e na época não dei muita bola. É na verdade o catálogo delux de uma mostra que aconteceu em 2009 reunindo fotos maravilhosas da Vogue América, assinadas pelos musos da fotografia de moda (Richard Avedon, Irving Penn, Helmut Newton, Steven Meisel e Klein). E quanto potencial como plataforma de expressão a maquiagem tem!

#bookdodia

Irving Penn, Agosto, 1990
Algumas fotos estão aqui neste vídeo:



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A entrevista.

Depois de entrevistar a Milly no post passado, fui bater na porta do Theo Carias. Além de ser o mago das sobrancelhas, ele desenvolve um trabalho autoral bem marcante na maquiagem. O conheci antes da crise de 2008, quando fiz uma pauta para revista Moda da Folha de São Paulo sobre “as cores das brasileiras”. De lá pra cá muita coisa mudou. O mercado da beleza do Brasil se expandiu e  internacionalizou. E o Theo também mudou. Ele concentrou forças em seu estúdio (espaço muito charmoso por sinal) e passou a ministrar aulas de auto-maquiagem e de maquiagem criativa. Um pouco do papo tá aí:
(Desde antes da crise até agora) Vejo as mulheres brasileiras ousando mais…
Na maioria dos casos a inspiração vem de uma celebridade. No dia-a-dia, observando a rua, vejo pouca gente com uma maquiagem mais trabalhada.
Falando em copiar…
Vejo que tem muita informação de beleza, de imagens artísticas, e uma liberdade muito grande de trabalho, mas pouca identidade (no trabalho de boa parte dos maquiadores). Há muita cópia de referências de internet, do pinterest, de redes sociais (e todas geralmente muito retocadas). Percebo pessoas mais preocupadas em reproduzir do que buscar inspiração dentro de si para desenvolver um trabalho autoral. É importante estar informado e atualizado, por outro lado, tanta referência pode influenciar mal. Eu mesmo prefiro evitar ficar vendo muita referência (ou pelo menos, referências de maquiagem diretamente) para o trabalho emergir de maneira mais visceral.

@theocarias1

Maquiagem como plataforma de expressão…
Montei o curso para tentar ensinar os meninos como tirar a inspiração de dentro deles mesmos. Faze-los entender o que eles gostam de verdade para compreender o próprio DNA. Na primeira aula eles levaram um manequim para casa e criaram com massinha. Desssa forma pude avaliar o processo de criação deles, e por aí já observar a leveza da mão e a maneira como encaram as texturas. Foi interessante ver que alguns se propuseram a criar e outros copiaram. No curso também mostrei muita referência de artes plásticas, como o Mark Rothko, que eu gosto muito. A intenção era tentar fazê-los abrir a cabeça, e o coração, e tentar trazer as sensações que surgiam para a prática da maquiagem. Foi bem interessante. É essencial buscar a sua verdade para conseguir desenvolver um trabalho autoral.

decoração do estúdio de maquiagem @theocarias01

Recado aos jovens maquiadores…
Quando busco um assistente gosto de ver aquela ansiedade de participar e de mostrar trabalho, mas é importante ter repertório. Por exemplo, quando um diretor de arte pede uma maquiagem inspirada no modernismo, se ele não sabe do que se trata o termo não vai conseguir fazer o trabalho.

Hoje os maquiadores começam com tudo pronto…
Acho todo mundo era mais criativo quando tinha menos produtos de maquiagem. Quando comecei era preciso tirar leite de pedra para conseguir chegar aos resultados.

@theocarias01

Escolhi a maquiagem como forma de expressão…
Fiz decoração. Fiz roupa. A maquiagem foi para onde direcionei minha carreira quando cheguei em São Paulo (Theo é cearense). No começo ninguém acredita que você pode fazer tudo com gosto.

Momento vida real…
Hoje há uma preocupação em mostrar a “vida real”. É legal, mas é preciso um pouco de devaneio para a criação. Hoje vejo que estamos vivendo um momento onde tudo está banal, mas acredito que há sempre um filtro natural que salva os trabalhos consistentes, com história.

maquiagem para campanha da Melissa

Equilíbrio entre maquiagem artística x vida real…
Meu carro chefe é fazer sobrancelha, mas sempre tenho a oportunidade trabalhar em produções que demandam uma maquiagem mais criativa. Na moda tento levar um pouco do artístico, ousar quando é possível. Não costumo funcionar muito bem quando me pedem para copiar igualzinho. Gosto mais de criar a partir de uma referência e desenvolver um conceito específico para trabalho que estou fazendo.

Theo fazendo arte.

Sobrancelhas…
Comecei a fazer as dos amigos e o Celso Kamura me deu o toque para levar a sério. Nem sempre a mulher pode estar maquiada. Falamos olhando no olho, então a sobrancelha deve estar arrumada. É a moldura dos olhos. O formato mais orgânico dá um ar mais suave ao rosto. As formas geométricas calculadas deixam o semblante artificial. Uma cliente de rosto anguloso tinha a sobrancelha com ares diabólicos. E ela se incomodava, dizendo que as pessoas faziam um pré-julgamento por causa disso. Fui mexendo aos poucos e seu rosto mudou. Porém, pelo contato próximo com as mulheres fico pensando se esse trabalho que arrumei não é uma desculpa para sentar e conversar todos os dias =).

Todos querem a mesma coisa…
Sou psicólogo e paciente. Atendo advogada, jornalista, fotógrafa. Elas vem aqui e quando tem aquele evento especial elas falam: hoje eu tenho que estar… linda! Todos queremos a mesma coisa: ser feliz, ser aceito e ser bonito.

Toda mulher tem algo bonito no rosto…
Pode ser uma mulher muito feia, mas tem os cílios longos, por exemplo. Não é fácil pensar assim, ainda mais se pensar nos padrões de beleza pré-estabelecidos. Tem que pensar no trabalho de beleza sempre como uma ferramenta para melhorar o que você tem.

Mulher pode tudo…
E é muito interessante esse universo feminino. É muito louca a vida de uma mulher… As auto-cobranças. É muito cruel. É um eterno “não pode”: não pode se descuidar, não pode engordar, não pode ficar cansada… Dizem que as mulheres são loucas. Claro, com tanta coisa para pensar! Os homens têm uma posição muito cômoda na sociedade. Mulher é um bicho muito forte, muito danado. Incrível. Mulher tem que se pintar porque mulher pode tudo.