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Ainda estão para desenhar a bolsa ideal para a vida urbana-pedestre-saí-de-dia-volta-de-noite-no-transporte-público-lotado. Encontrar um local para pendurá-la é o segundo desafio.

São pouquíssimos os bares, restaurantes e banheiros de estabelecimentos comerciais que oferecem ganchinhos para prender a bolsa. No máximo tem aquele velcro no espaldar da cadeira, que não funciona exatamente para pendurar, senão para evitar furtos.

Em países onde o inverno é rigoroso (vale a Argentina e o Chile aqui do lado, pra não ser colonizada) a oferta de ganchinhos é maior. Não tanto pelas bolsas e sim pelos casacos.

Uma grande invenção paliativa é aquele ganchinho que você coloca sobre a mesa para pendurar a bolsa, encontrada nas lojas de cacarecos.

Por outro lado, na empresa em que trabalhava, junto com uma colega reivindicamos ganchinhos na parede para pendurar as bolsas. Para nossa surpresa algumas semanas depois lá estavam eles fixados entre as mesas. E para nossa surpresa seguinte eles foram subutilizados. Todo mundo continuou pousando bolsas e mochilas em cima das mesas ou no espaldar das cadeiras. O cabideiro não é um elemento da cultura nacional.

A bolsa é um órgão externo ao corpo, ou, e para quem não a encara assim, o jeito é fazer malabarismo.

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quimono

Usando uma armadura de papel uma garotinha empunha uma espada. “Queria ser samurai, não princesa”, disse. Hoje adulto, adotou o nome Kisaburo, o mesmo do bisavô e integra a quarta geração atuando no ramos dos quimonos. Com a marca que leva o seu nome, ele aproveita o savoir-faire da confecção da família, Iwamoto Wasai, para modernizar o uso da tradicional vestimenta japonesa.

Kisaburo foi um dos palestrantes do Colóquio de Moda que aconteceu na UNESP em Bauru, interior de São Paulo. Para o evento ele criou especialmente um quimono de chita. Em sua palestra ele fez uma breve retrospectiva de sua história, explicou sobre o que representa o quimono para a sociedade japonesa e em seguida apresentou seu trabalho.

Quimono feito de chita do designer Kisaburo #quimono #japão #fashion #coloquiodemoda

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São vários os tipos de quimono. Destinados a vários usos e são repletos de códigos. Solteira usa um tipo, casada outro; homens amarram o obi (a faixa) na linha do quadril, mulheres usam na cintura. O quimono-conceito chega a custar 10 mil dólares. É feito de seda pura e demora pelo menos seis meses para ficar pronto. Um quimono atravessa gerações. São costurados de tal modo que é possível “guardar” o tecido dentro de sua estrutura. Por exemplo: “herdei o quimono da minha mãe, que era mais gordinha que eu. Ajusto o quimono, mas o tecido fica lá, de modo que minha filha quando herdar pode fazer o ajuste necessário”.

O alto custo de produção de quimonos aliado a um gradual enfraquecimento das tradições locais, como a substituição do traje tradicional pelo vestido de noiva ocidental, está restringindo o mercado dos quimonos ao aluguel.

Aí vem o pulo do gato de Kisaburo. “Para a tradição dos quimonos não morrer, é preciso adaptá-la ao mundo de hoje”, avisa. Os japoneses não costumam misturar quimonos com peças ocidentais. “É preciso usar outros tecidos e adaptar as formas para o dia-a-dia. Pensar na modelagem do quimono para andar de bicicleta, por exemplo”, explicou. Ele usava um quimono jeans enquanto proferia a palestra.

colaboração “ISETAN 130th anniversary”© coleção masculina

 

Falou também sobre as estampas e as cores: “os quimonos sempre trazem temas da natureza. As mulheres usam peças rosas, vermelhas; os homens usam azul, preto. Estou trazendo novas referências para estampas como as tradicionais gravuras Ukiyo-e, grafismos e expandir a cartela de cores”, contou. Mostrou fotos de peças como saias e blusas feitas com técnicas de confecção de quimono.

Sua produção ainda é artesanal, mas ele pretende expandir. Seu objetivo é estar bem estruturado até 2020, ano que Tóquio será a sede das Olimpíadas. “Adoraria fazer kimonos com tecidos do mundo todo”. Muito simpático e curioso, ele devolveu uma pergunta para os espectadores: “Qual é o traje tradicional de vocês?”.

 

atualização:
Kisaburo vai ministrar um workshop no ateliê da estilista Fernanda Yamamoto.
Workshop Quimono sem gênero com Kisaburo
Data: 21 de outubro de 2017, sábado, das 14h às 17h (3 horas)
Local: Ateliê Fernanda Yamamoto (Rua Aspicuelta 441, Vila Madalena)
Vagas: 15 vagas
Valor: R$200
Inscrições: luciana.salazar@fernandayamamoto.com.br ou (11) 3032-7979
Pagamento: antecipado por deposito bancário. A efetivação da inscrição só será feita com a confirmação do deposito bancário.
Língua: haverá tradução do japonês para o português

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um início estampado

prato estampado por Débora Chodik

Aquela frase – “todas as histórias já foram contadas”- pode ser aplicada às formas das roupas. As saias, por exemplo, já desceram, subiram, rodaram e ajustaram. Desde a criação da saia lápis no final dos anos 1940 e da minissaia nos anos 1960, o que se vê são releituras. O diferencial aparece nas texturas e nas estampas. E as estampas são a bola da vez na moda.

Aqui no Brasil a Adriana Barra, a Farm, a Antix são grifes que têm as estampas como marcas registradas. Contudo, os designers responsáveis pelos desenhos costumam ficar nos bastidores.

A grife finlandesa Marimekko apostou na estampa como protagonista lá em 1951, e hoje está por todos os lados.

A Swash London e a colombiana Catalina Estrada são outras grifes de estampas. A jovem marca anglo-brasileira Isolda também se firmou como tal.  Suas peças da estão onipresentes nos editoriais de moda.

com menos de dois anos de vida a Isolda já emprestou as estampas para a Converse

Estampas no Moda pra Ler:
Entrevista com Catalina Estrada
Entrevista com Adriana Barra
Entrevista com a dupla da Swash London

Procurando jovens designers que estejam apostando na criação de estampas me deparei com a paulistana Débora Chodik, de 27 anos, que há menos de um apostou no formato e criou a marca que leva seu nome e uma loja virtual. Antes de criar sua empresa, passou pela equipe de estilo do Reinaldo Lourenço e da Giuliana Romano e pela tecelagem Marles. Por Skype, ela me contou os desafios de começar.

Débora Chodik #selfie
a capa do telefone tem a sua estampa

Moda pra ler: Quando descobri seu site lembrei de cara do modelo da Marimekko e da Swash, que partem da estampa para criar o produto…
Debora Chodik: Sim, sim! Essas duas marcas e mais a Orla Kiely são minhas inspirações! Pois é, quero fazer tudo estampado desde roupas básicas até acessórios para cozinha e decoração. Não sei ainda o quanto as pessoas entendem isso, mas gostam de estampas.

estampas da coleção de estreia

Por que você decidiu abrir sua marca?
Meu ultimo trabalho foi em uma estamparia Marles. Sentia muita falta de ver as estampas aplicadas nos produtos como era no Reinaldo e Giuliana Romano. De passar por todo o desenvolvimento até dar vida de verdade pra estampa. E já fazia um tempo que queria trabalhar por conta própria. Achei que esse era um segmento que ainda estava muito no começo e que podia ser uma boa oportunidade!

Criação das estampas e bordados para as coleções Verão 2013 e Inverno 2013

Como é seu processo de criação das estampas?
Acabo fazendo todas as estampas pelo computador, juntando imagens de livros e referencias de internet! Teve até duas estampas que fiz com a ajuda de um aplicativo do iphone!

ateliê

Como que você desenvolveu os temas dessa primeira coleção?
Costumo ir fazendo as estampas aos poucos. Um pouco um dia. Depois de uma semana mudo alguma coisa até achar que esta pronto mesmo. Como a marca esta funcionando como um grande experimento. Resolvi que as estampas não seguiriam um tema. Iria lançando aleatoriamente. Acabou que muitas estampas têm pássaros. Foi por acaso mesmo.

Aquela estampa dos flamingos, como foi? Ela tem um nome legal!
A glu glu? Foi engraçado no começo estava insegura com ela. Ganhei um livro (“Our Garden Birds” #bookdodia ) de pássaros e comecei a misturá-los. É figurativa e “menininha” demais. Diferente do que estava acostumada a fazer, mas resolvi ir em frente. Acho que foi a estampa que todo mundo mais amou. Até virou o símbolo da marca!

cortina de box com a estampa “glu-glu”





E como é achar os fornecedores para aplicar as estampas?
Nossa! É a parte mais difícil! Impressão digital ainda é muito caro. Por isso tive que encontrar outra solução que é a sublimação. Não é o ideal, mas… Assim consigo manter o custo final ok. Ainda estou penando para achar fornecedores que façam as outras coisas, como os pratos e as capinhas. É super complicado. A maioria não quer saber de marcas que estão começando e produzem pouca quantidade. Fora que falta maquinário mesmo!

O que a técnica de sublimação?
Sublimação é uma técnica de estamparia, primeiro você imprime a estampa em um papel sublimático e depois coloca o tecido em uma prensa junto com esse papel em uma temperatura super alta e aí a estampa vai pro tecido. É bem legal porque é bem mais barato, mas precisa usar no mínimo 60% de poliéster.

E como decidiu os produtos que aplicaria as estampas?
Comecei pelas roupas porque era o que já estava acostumada. Aos poucos fui migrando para as capinhas, malas e etc… Acho que achar o fornecedor certo ajuda muito na minha decisão.

Além da sua marca, você está desenvolvendo parcerias com outras empresas?
Sim. Além da marca continuo fazendo bastante freela de estamparia e design. Parcerias são sempre bem vindas. Para o ano que vem já tem uma encaminhada. A marca toco-oco vai fazer bonecos com as minhas estampas. Muito fofo!

Os produtos são feitos sob encomenda?
O ateliê fica na minha casa em Pinheiros. Para a maioria dos produtos faço uma grade de produtos bem pequena. Fica mais fácil produzir tudo de uma vez. Por agora, só os pratos que estou fazendo por encomenda. Além do site, vendo em três lojas.

No meio da conversa descobrimos que somos vizinhas e ela contou que namora o artista plástico Guilherme Peters

Você convive com muitas referências de arte?
Sim, convivo. Costumo ir bastante à Galeria Vermelho

ateliê

Tem algum artista que você gosta mais?
Nesses últimos tempos conheci muitas coisas novas. Uma delas foi o trabalho da Carmela Gross que vi na (galeria) Pivô.

O que te chamou atenção no trabalho dela?
As luzes!

 Pensa em usar isso para uma próxima coleção de estampas?
Quem sabe fazer algo pensando nessas luzes?