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é rosa e azul

Referência para maquiagem do Lambuza Lambida

Lambuza Lambida” pediu para ser amigo(a) no facebook. O avatar é uma flâmula bicolor em forma de “língua”: rosa e azul.
(Todas as imagens foram tiradas do facebook do Lambuza Lambida)

logotipo e estandarte do Lambuza Lambida

O novo “amigo virtual” de nome estranho começou a postar fotos de pessoas com fantasias simples e divertidas. Nariz de papel, babador, avental, faixas pintadas no rosto de pessoas.

Dias depois a timeline do “Lambuza” foi invadida por croquis das fantasias e referências de imagens de figurinos medievais.  O que parecia uma diversão entre amigos era na verdade o registro do nascimento de um bloco de Carnaval, com uma identidade visual bem definida e curiosa. 

 No último final de semana fui conhecer a produção de fantasias que aconteceu na sede do Estúdio Garupa na Galeria Metrópole, centro de São Paulo. Os fundadores do bloco são o artista visual Wallace Masuko (Wall), a tradutora Marcela Vieira (Má), a arquiteta e estilista Valentina Soares (Tina – autora dos croquis que aparecem neste post) estavam lá com tesouras em punho cortando tecidos, cartolinas e gerenciando os agregados que formavam a linha de produção para a participação especial no bloco “Tarado Ni Você”. Em meio a tudo isso, Wall e Tina me contaram a história do bloco.

Tina e Wall se produzindo

Tudo começou…
Wall: “Fomos no bloco ‘Agora Vai’ (que percorre o Minhocão na terça de Carnaval). Aí pensamos. Tá muito cheio. Vamos fazer um bloco para gente e vai sair do Teatro Municipal. Depois a gente esqueceu. No Reveillon deste ano conversando com a Tina retomamos a ideia”.

Lambuza em participação no bloco Ciga-Nos

O nome
Tina: Numa viagem para um sítio, começamos uma verborragia e alguém falou: ‘Lambuza’. Tem tudo a ver! Essa a coisa carnal, essa brincadeira menino e menina e a troca de papeis que acontece no Carnaval. Então, começamos a desenhar as fantasias.

Letra do samba do bloco

Figurino
Tina: Ganhei um livro do meu pai que tinha umas ilustrações incríveis do Dobout. É um livro de poemas do François Villon, que é um poeta medieval. E achamos que tinha tudo a ver. Tinha aquelas figuras ogras, aqueles chapéus pontudos, e as cores cândidas. Fomos definindo a cartela e chegamos no azul e rosa. Wall: Você pode ver nas fantasias. Tem idade média, mas também tem muita forma de “língua”.

#bookdodia

Trajeto
Chamado “Cortejo Real”, o bloco tem o Teatro Municipal na Praça Ramos de Azevedo como ponto de partida e a fonte do Vale do Anhagabaú, em baixo do Teatro, como ponto de chegada. “Passa por todas as escalas da cidade”, explica Tina, deixando escapar um termo usado pelos arquitetos.

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Cortejo Real Lambuza Lambida
Segunda 03 de março 17h
Na frente do Teatro Municipal – Praça Ramos de Azevedo – Centro

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Nostalgia: um dos primeiros posts do modapraler, lá em 2006, foi sobre Carnaval

arquitetura, design, entrevista

pra-ti-cidade

Tomar mate, levar marmita para o trabalho, usar transporte público ou bicicleta são alguns dos hábitos portenhos. Pensando nestas ações cotidianas as estilistas argentinas Tatá Rachi e Clari Querejeta criaram a grife de acessórios a Kitchenette.

cestinha de bicicleta removível
kit toalha de pique-nique e bolsa para levar o mate (chimarrão) e a garrafa térmica
lancheira para a marmita

A dupla utiliza toalhas de mesa de plástico como matéria prima. Podem ser antigas ou garimpadas em viagens. Os acessórios têm um estilo propositalmente kitsch. “Nos inspiramos nas cores, nas avós, nas coisas de avós, no cinema, nas coisas em ordem, em um bom disco, ou em um disco ruim, em uma taça de chá com limão bem gostosa e em montanhas de tecido”, revela Tatá.

almofada para a garupa da bicicleta
porta-coisas para a garupa da bicicleta

Há pontos de venda espalhados por Buenos Aires ou sob encomenda: http://www.facebook.com/kitchenette.objetosfelices

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E o lifestyle paulistano e a moda?
Com as malas quase prontas para voltar para São Paulo e o final de ano batendo na porta é inevitável o clima de balanço e de comparações. Vou sentir muita falta do meu estilo de vida em Buenos Aires. A cidade é menor, plana, arborizada, o transporte público funciona, é barato, e boa parte das linhas ônibus circulam 24h por dia. Até nas baladas mais “coxinhas” a mulherada se equilibra no salto, ajeita a saia, forma fila indiana e faz sinal pro ‘colectivo’ na madrugada.
O Pedro Lourenço declarou para uma  coluna social: “A mulher brasileira não tem vida urbana, não precisa de roupa para o cotidiano. Nem de bolsos, porque não toma metrô, joga todos os pertences no carro, que é sua cela.” O carro virou um cômodo móvel da casa. E o que carro tem a ver com moda? A observação do designer foi a respeito de suas clientes, mulheres com alto poder aquisitivo, que além do carro devem ter um motorista. Contudo, vale a pena refletir sobre a frase muito bem colocada do estilista. 
De maneira geral, a moda feita hoje no Brasil é pensada para a vida urbana? E para a vida urbana sem carro? 
Em São Paulo é comum sair de manhã para trabalhar e seguir para a faculdade, curso, ou para um bar, e prolongar-se até a balada noite a dentro.  
Como seria o figurino ideal para uma pessoa que tem o tempo preenchido de manhã até a noite? E para quem não tem carro? Teria bolsos? Seria feito de tecidos térmicamente confortáveis e resistentes? Bolsas anatômicas e fáceis de carregar? Sapatos confortáveis? Blusas e vestidos com bom caimento para levantar e abaixar o braço com conforto? Shorts e saias com um comprimento adequado para, por exemplo, não deixar espaço de pele para grudar no banco do ônibus nos dias de calor? E os bravos ciclistas paulistanos? O que falta acessórios lindos e mais baratos para eles? 
E o seu dia-a-dia? Há uma demanda de uma moda utilitária, atrelada a qualidade e a praticidade? Que atenda as necessidades de uma vida “ao ar livre”? É essa a vanguarda da moda do nosso tempo? Acho que sim.
arquitetura

arquitetura em roupas de criança

Edificio Louveira
Foto: Pedro Kok©

Sempre achei as obras do arquiteto (e meu avô) Vilanova Artigas (1915-1985) um prato cheio para inspirar coleções de roupas: por seu conceito, por suas suas linhas geométricas, por suas cores… A marca infantil La Moustache apostou. O resultado é a coleção “vilanova[tudonovo]”. Olha aí: