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lingerie renascentista

…mais um pouquinho de Bélgica

As roupas que a estilista belga Véronique Branquinho cria são bem construídas e muito femininas. Ela transportou tais características para sua primeira coleção de lingerie, feita em parceria com a marca Marie Jo, conterrânea e especializada em moda íntima.

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Os sutiãs, bodies, calcinhas, ligas e hot-pants (aquelas calcinhas com cintura alta) carregam um glamour antigo, jeitinho de anos 50. Contudo, sua inspiração veio do século XVI. Mais precisamente de algum dos mestres da pintura do renascimento.

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As “musas” do período não eram modelos e sim as imagens da Eva (aquela mesma do Adão) e da Vênus (a deusa do amor na mitologia romana). Essas figuras foram retratadas a exaustão pelos pintores Lucas Cranach, Giorgione, Raphael e Albrecht Dürer.

The Sleeping Venus or The Dresden Venus, 1510, by Giorgione

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A Vênus Adormecida, Giorgione, 1510

“Quando vejo as figuras nuas dos velhos mestres, sinto que elas não são muito diferentes das mulheres de hoje. E me pergunto: Como eles olhariam suas musas de lingerie?”, declarou a estilista no release oficial da coleção. Alô, Vogue Itália?

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Lucrécia, Lucas Cranach

Segundo entrevista para a Dazed and Confused, Braquinho contou que criar lingerie foi um desafio, pois unir sensualidade e conforto requer maior requinte técnico. As peças foram desenvolvidas em seda, micro-fibra e tule.

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A coleção chega às lojas europeias em meados de setembro.
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A Marie Jo já fez parceria com os também belgas da AF Vandevorst. Algumas peças estavam no Momu da Antuérpia ano passado.
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enquanto isso na Antuérpia…

Foto: Jean Baptiste Mondino, 1996

A exposição de outono no Museu de Moda da Antuérpia faz a primeira grande retrospectiva da carreira, de mais de três décadas, de Walter Van Beirendonck. Ele é um dos membros do grupo conhecido como “Antwerp Six”. Intitulada “Dream The World Awake”, a mostra entra em cartaz no dia 14 de setembro.

Atualmente o Museu exibe “UNRAVEL. Knitwear in fashion”, mostrando a história do tricô na moda. Ó:

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Alexander McQueen

outono-inverno 2009/2010 (C)
foto: ETIENNE TORDOIR

JEAN-PAUL GAULTIER SONIA RYKIEL, 2008 FRÉDÉRIQUE DUMOULIN
Look de Jean Paul Gaultier, homenageando a rainha do tricô francês, Sonia Rykiel, no desfile de 40 anos de aniversário da grife da estilista, 2008

GABRIELLE CHANEL 1930MAIRIE DEAUVILLE DELPHINE BARRE
Gabrielle Coco Chanel, 1930

PIERRE CARDIN, 1967
Look de Pierre Cardin, 1967

BATHING SUIT BY ELSA SCHIAPARELLI, C. 1928CONDÉ NAST ARCHIVECORBIS
Traje de banho criado por Elsa Schiaparelli, 1928

MARTIN MARGIELA AW 2008-2009 GIOVANNI GIANNON
E como não podia faltar um belga…
Maison Martin Margiela

outono-inverno 2008/2009

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Você fashionista profissional ou amador #ficaadica para incluir a Antuérpia no roteiro de viagem. É imperdível. Muita cultura de moda.
sem categoria

Diário de Bordo: Antuérpia parte 4, aleatórios

Ainda no Momu

“Marie Jo L`Advernture by A.F. Vandevorst”
Estavam expostas as lingeries da A.F. Vandevorst + Marie Jo L´Aventure. A dupla belga An Vandevorst e Filip Arickx fez uma parceria com a marca de lingeries conterrânea e desenvolveu peças de parecem feltro cujas partes podem ser adicionadas ou removidas como num quebra-cabeça tridimensional. Para fazer os modelos os dois usaram técnicas de chapelaria. Não parecem armaduras?

Antuérpia

no detalhe…

Exposição dos alunos
Fiz esse videozinho para mostrar os trabalhos dos alunos da Artesis Hogeschool Antwerpen:

A Magazine, em mãos
Finalmente encontrei a “A Magazine”. A revista, publicada na Antuérpia, é vendida na Copyright, livraria do museu. A cada edição um estilista é escolhido para fazer a curadoria. A edição atual #10 ficou nas mãos do italiano Giambatista Valli. Eu comprei a anterior feita pela dupla Proenza Schouler que achei mais interessante. Tem uma entrevista ótima com os estilistas da grife Lazaro Hernandez e Jack McCollough feita pela Ingrid Sischy da Vanity Fair. A publicação é um grande compilado de imagens, experimentações e vale super dar uma olhada no site, que traz todas as edições. Riccardo Tisci, Yohji Yamamoto e outros estilistas de primeira linha já emprestaram seu bom gosto para a revista.




Museus…
Além do Momu, recomendo também dar um pulinho no FoMu, o museu de fotografia. Por lá vi uma exposição do fotógrafo alemão Boris Becker, homônimo do famoso jogador de tênis conterrâneo. A mostra faz uma retrospectiva da trajetória do artista dos anos 80 até hoje.

Antuérpia

E tem também o M HKA, que é o museu de arte contemporânea. Vi uma exposição linda do inglês Craigie Horsfield. São fotos tecidas em enormes tapetes (!). Olha o vídeo que mostra o processo de criação dele:

(novo!) atualizado em 11.02.11

Pelo facebook, conversei com Adrian Mazzarolo. O brasileiro de 20 anos estuda na Artesis Hogeschool e me contou um pouco como é a faculdade, e a vida na Antuérpia. Mas aqui não é sua a primeira vez como entrevistado. Ele já foi notícia graças a um look que usou na edição outono inverno 2010 do São Paulo Fashion Week. E vocês podem acompanhar o trabalho dele pelo seu flickr , youtube e tumblr. Acho que vale ficar de olho…

moda pra ler – Por que você escolheu a Antuérpia para estudar moda?
Adrian Mazzarolo – Eu escolhi Antuérpia pra estudar moda pela força que moda tem aqui e pela perspectiva pela qual é vista. É algo levado muito a sério. Há muita paixão e comprometimento por trás de todos os projetos.

mpl: Como foi o processo de seleção para entrar na faculdade? Foi difícil?
AM: O processo de seleção é por meio de prova de desenho, entrevista e apresentação de portfólio. Sobre a dificuldade é algo relativo, por que há uma série de fatores que é levada em consideração. Eu tive que trabalhar bastante pra conseguir um resultado positivo. Ser aprovado foi um dos momentos mais surreais da minha vida.

mpl: As aulas são ministradas em que língua?
AM: As aulas são ministradas em inglês, e algumas em holandês, mas as aulas práticas não são aulas no sentido cartesiano da palavra: é conversar com os professores sobre seus projetos, discutir sobre como melhorar e ter um design forte.

mpl: Como é o nível de exigência aí?
AM: O nível de exigência é altíssimo, eles puxam você até conseguirem o seu melhor, é realmente intenso, mas os resultados são visíveis.

mpl: Qual sua matéria favorita?
AM: As matérias funcionam de uma maneira conjunta, então é difícil falar em alguma favorita. Todas são necessárias pra realizar o seu projeto, mas eu gosto bastante da integração entre parte gráfica e execução tridimensional .

mpl: Como é a vida na Antuérpia?
AM: A cidade é bem calma e pequena, mas o lado bom de não haver muitas distrações é que você consegue se concentrar no seu trabalho, e produzir mais – o que é fundamental para a faculdade.