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história, livro

a maquiagem conta a história

Durante a época da Segunda Guerra Mundial havia embalagem de maquiagem em forma de chapéu de uniforme militar. O pó-de-arroz vinha com um papelzinho avisando que a esponja de aplicar não viera em função do racionamento de matéria prima.

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A maquiadora inglesa Lisa Eldridge mantém um canal no youtube (de muito sucesso) com tutoriais e também assina a beleza em revistas de renome.

Além disso, Lisa é grande conhecedora da história da maquiagem e colecionadora de itens vintage. Nos vídeos a seguir, todos em inglês, ela mostra sua relíquias e visita a historiadora de maquiagem Madeleine Marsh autora do livro “The History of Compacts and Cosmetics: Beauty From Victorian Times to the Present Day” (#bookdodia). Ela explica e contextualiza a tendência da maquiagem em seu momento histórico, justificando assim o comportamento feminino da época e o design da embalagem.
*Dica da Isabel Mascaro no Facebook



Parte 01: Lisa mostra sua coleção de maquiagem vintage.

Parte 02: Lisa conta como conheceu a historiadora Madeleine e vai até sua casa conhecer uma super coleção de maquiagem vintage. Na primeira parte da entrevista elas abordam da Era Vitoriana até os anos 1930.

Parte 03: Lisa e Madeleine continuam a conversa. Percorrem as décadas de 1940, 50, 60 e 70. Aparecem as peças que falei na abertura do post.

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O Livro:

#bookdodia

Dica!!! As imagens do livro tirei do site “The Make Museum” http://www.makeupmuseum.org – um site bem interessante dedicado à maquiagem com o recorte do design das embalagens.

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Tutoriais de maquiagem das divas vintage:

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Beleza com jeitinho 60’s para a Revista Love:

design, entrevista, viagem

um novo vintage em Buenos Aires

Buenos Aires é uma cidade incrível para os “arqueólogos” da moda. A estilista Ana Paula Ponce sabe bem disso. Nascida em La Pampa, ela é fã das ferias americanas” (como são chamados os brechós aqui na Argentina) e há três anos criou a Bi Order.

A marca tem duas linhas. A primeira segue os padrões, primavera/ verão – outono/ inverno, e a segunda, chamada “vintage”, é perene e feita com roupas que ela garimpa, reforma e transforma.

peças vintage e do primavera/ verão 2013 da Bi Order

Paula cria roupas cheias de glamour. Adora as décadas de 1920, 70 e 80 e Alexander McQueen. Prefere não se atrelar as tendências.

fotos da linha Vintage

coleção verão 2013

Além das roupas Paula também gosta de buscar acessórios e objetos antigos. No espaço que abriu neste ano na Galeria Patio del Liceo (que falei no outro post) tem um cavalo de carrossel antigo,  luminárias de época. “Num futuro próximo queria que vender também objetos da Bi Order”, conta. Com um grande sorriso no rosto ela mesma atende os clientes.

essa é Paula é da turma do Margiela e odeia fotos 😉

decor da Bi Order



Vai lá:
Bi Order – Galeria Patio del Liceo
Av. Santa Fé, 2729 (entre Laprida e Anchorena)
A loja não fica aberta sempre – antes da visita envie mensagem via facebook

cinema

o figurino falante

No post anterior escrevi sobre como as roupas costumavam ser valiosas e inclusive eram objetos de penhor até o século passado. E não é que isso é representado literalmente no filme “O Artista”?
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“O Artista” (2011) Direção: Michel Hazanavicius

Figurino é um das categorias as quais o longa-metragem preto-e-branco, e mudo, concorre no Oscar do próximo domingo, dia 26/02. Mark Bridges foi responsável pelo guarda-roupa de “O Artista”, e acaba ganhar o Bafta pelo trabalho. Também criou os trajes de produções como “Magnólia” (1999), “A Pele” (2006 – esse figurino serviu de inspiração para a Gloria Coelho em seu inverno 2008 no SPFW), e “Boogie Nights” (1997 – um filme bastante citado recentemente graças a atmosfera 70’s que assolou a moda). A Academia costuma gostar de premiar filmes “de época”, no entanto, a figurinista da Madonna, Arianne Phillips (que veio ao Pense Moda ano passado), pode ser a pedra no sapato de Bridges. Ela concorre com “W.E.”, o filme dirigido pela pop star que conta a vida de Duquesa de Windsor e já nasce no páreo de filme mais fashionista do ano. Ontem Phillips ganhou o prêmio de “figurino de época” do Sindicato dos Figurinistas, que costuma ser a prévia do Oscar. 
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Mark Bridges na 20º Exposição Anual de Figurinos do FIDM Museum em Los Angeles
Em um filme mudo a direção de arte e o figurino têm importância redobrada porque ajudam a substituir uma entonação de voz, e outros recursos utilizados na construção dos personagens. Em “O Artista” ambos são feitos de maneira brilhante, resgatando a inocência e as sutilezas visuais da Holywood de outrora. A ascenção de Peppy Miller (Bérénice Bejo) como atriz é demostrada pela posição em que seu nome aparece nos créditos dos filmes, e também pelo acréscimo gradual de fluidez, brilho, plumas e peles em seus figurinos. Os chapéus são outro indicador de crescimento. Já a decadência de George Valentin (Jean Dujardin) é explicitada por sua troca de figurino, do duo casaca e cartola, ao paletó com ares de estopa.
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O diretor do filme Michel Hazanavicius disse à Interview que gostaria fazer um filme mudo para testar sua capacidade de contar uma história por meio de imagens. “Em seu modo mais puro”, e também, refutar a ideia de que se tratam de narrações reservadas a cinéfilos e intelectuais “É o oposto. É sensual”, afirmou. Afinal, vale lembrar que no início do século XX, o cinema era o principal veículo de comunicação de massa.
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Bérénice Bejo (de Gucci), Jean Dujardin, e Michel Hazanavicius;
Foto: Steven Pan para Interview
A atriz e o diretor são um casal na vida real. Ela é argentina de nascença. Suspeito que ela estará no desfile de inverno Chanel em alguns dias. Ele dirigiu um filme chamado OSS 117: Lost in Rio, sobre um espião francês trabalhando no Rio de Janeiro.
“O Artista” é ambientado entre o final da década de 1920 até meados dos anos 1930, quando o cinema evoluiu do mudo para o falado. Foi uma época muito revolucionária para moda. Porque houve uma quebra de paradigma, nas formas, nos acabamentos. Foi quando as roupas ficaram realmente modernas e adequadas a intensa vida urbana que se desenvolveria dalí em diante, e consequencia de uma primeira pequena revolução no comportamento feminino. Ah! Outro filme cujo figurino retrata os anos 20 lindamente é “Meia Noite em Paris” do Woody Allen, também contemplado com indicações nesta edição da premiação da Academia (não figurino, infelizmente).

Na entrevista “O Artista por trás de ‘O Artista'”, concedida à Janet Kinosian do, Los Angeles Times, Mark Bridges contou como foi o seu trabalho no longa. Traduzo aqui:


O que você pensou quando leu pela primeira vez o roteiro e viu que seria um filme preto-e-branco e mudo?
Meu primeiro pensamento foi: “Ótimo! Pode ser um contraponto para essa geração do computador, todos esses recursos eletrônicos e novos padrões de 3D. Vamos voltar ao básico”. E de fato ficou muito bom. Acho que estava pedindo para fazer algo do tipo.
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Sua pesquisa foi mais fácil, uma vez que você iria filmar em Los Angeles?
Eu tive oito semanas de pesquisa em L.A., e pude lançar mão de lojas de fantasia, alfaiates, modelistas e borbadeiras que trabalham com este prazo. Funcionou muito bem. Eu criei um livro repleto de fotos de referências para mostrar ao diretor, a equipe de arte e aos meus assistentes. Eu sempre faço isso nos meus filmes, e todo mundo gosta de ver.

Podemos ver em George Valentin (Jean Dujardin) e Peppy Miller (Bérénice Bejo) referências de astros do cinema mudo?
Eu e o diretor chegamos a mesma conclusão que a Peppy estaria para a Joan Crawford que começou na MGM em 1925. Primeiro com pequenos papéis. Foi ganhando espaço e conquistando o público. Ela despontou em “Our Dancing Daughters”. E para o George usei fotos de John Gilbert, com o qual senti uma elegância similar e a mesma trajetória na carreira. Também usei fotos de bastidores do Douglas Fairbanks.

Como a ausência do som e a tela em preto-e-branco influenciaram seus figurinos?
Na verdade, o silêncio foi bastante libertador porque você não precisa mais se preocupar com os microfones roçando no tafetá ou pendurado nas jóias. Quanto as cores, eu tirei fotos em preto-e-branco dos tecidos para ver como eu imprimiriam na tela. O vestido que a Peppy usa no primeiro encontro com George é um laranja luminoso, mas aparece como aquele tom cinza médio maravilhoso, e eu construí o contraste com o colarinho e o chapéu cloche.

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Figurinos em de “O Artista” em cores

Você também teve que criar o figurino de um filme preto-e-branco e mudo, dentro do filme preto-e-branco e mudo. Como você conseguiu?
Eu logo descobri que as texturas fariam a diferença e iriam contar a história. Você pode não notar de cara, mas se assistir ao filme uma segunda vez vai ver que o figurino do filme (dentro do filme) é um pouco mais opaco que o da vida real (dos atores no filme). E para comunicar isso no filme abusei de lantejoulas, miçangas, etc. Contando a história por meio de texturas, você desenvolve a linguagem de maneira relativamente rápida.

Michel (Hazanavicius) também queria valorizar o auge dos atores. Há muito contraste entre eles, e nos outros momentos eles ficam na média. Quando George está usando gravata e a casaca, Peppy está com um vestido valor médio. E no final quando Peppy o salva, está usando pele e um vestido em tom pastel. No momento do encontro na escada, quando ela está subindo na carreira, ela está de branco puro, e ele está descendo, seu figurino se mistura com o fundo do cenário. Assim, o contraste é uma forma de contar a história.

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Quando você olhou os arquivos de roupas dos anos 1920s, o que mais te surpreendeu em relação ao período?
No guarda-roupa feminino foi o fato das roupas serem aparentemente simples e com os cortes extremamente complicados. Alguns vestidos que fizemos para Peppy a costura ia em três direções, o corpo reto as mangas em viés e a saia também em viés. Você nunca imagina isso para um vestido simples, muito simples.

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Depois de ver “O Artista” lembrei da norte-america Penélope Umbrico, cujo trabalho conheci no ano passado. Ela resolveu brincar com a popularização da criação de fotos despejadas aos milhões diariamente em flickrs, instagrams e facebooks, e propor outros significados à elas. São tantas, mas tantas imagens que não são passíveis de observação, e tampouco há motivo para isso, tendo em vista que o objetivo da grande parte delas é auto-contemplação, e estão fadadas ao esquecimento na próxima atualização de timeline. Agora, brincando de crítica de cinema, considero que uma das “mensagens” de “O Artista”, se relaciona com o trabalho da norte-americana a medida que relembra e pontua o valor precioso das imagens, e sua capacidade de contar histórias. Belas histórias.