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“Evidências” não reina mais absoluta nos karaokês de São Paulo. Neste mês ela concorre com a trilha sonora de “Bohemian Rhapsody”.

“Isto não é um show, é um desfile de moda”, costumava dizer Freddie Mercury. Os trajes de palco do vocalista da banda Queen exteriorizam a personalidade inquieta desta lenda, sem exagero, da música no século passado.

Estão lá seus figurinos muito bem representados pelas mãos de Julian Day. O perfume hippie dos anos 1970 em caftans nas primeiras apresentações; o flerte com o glam-rock do avanço da década em jaquetas com formatos lúdicos; os macacões justos-decotados-de-paetês ao jeans e regata branca, ornamentado por acessórios nos anos 1980. Graças a este figurino especialmente a Wangler vai relançar o modelo carimbado usado por Mercury na apresentação histórica do Live Aid, que abre e fecha o filme.

Há uma cena que reconstitui a Biba, lendária boutique de Bárbara Hulanicki, que era a cara da Swinging London do final dos anos 1960 até meados dos 1970. A namorada, futura esposa, e herdeira, de Freddie, Mary era vendedora na loja. A comunicação entre os dois, segundo o filme, começa com um elogio ao casaco que ela está usando. Belíssimo aliás, bem ao estilo Penny Lane, para citar filmes ambientados no meio musical. São cenas que explicam, portanto, o apreço de Freddie pelas roupas nada básicas e que sintetizam bem sua vontade de não passar despercebido no mundo.

A narrativa é centrada na vida de Freddie Mercury. Antes da fama ele trabalhava carregando malas no aeroporto de Heathrow, em Londres. Algumas falas ao longo do filme revelam outras informações que o tornam um artista mais interessante. Ele nasceu em Zanzibar, uma ilha semi autônoma da Tanzânia, na África. Passou a adolescência na Índia até chegar à Inglaterra. Outra informação maravilhosa diz respeito a sua família seguidora da religião zoroastra (!!!). Ou seja, ninguém se torna Freddy Mercury por acaso. Seu nome aliás, era Farrokh Bulsara.

O roteiro tem um pique de tumblr: colagem de passagens que retratam a construção dos hits da banda sintetizadas por frases de efeito. Um galo da fazenda-estúdio que inspirou o “galileo” da faixa que nomeia o filme. Os riffs de guitarra em”Another On Bite the Dust”. A batida de pé que puxa “We will rock you”. Portanto, é impossível não sair do cinema cantarolando os muitos hits que a banda plantou ao longo dos anos. “I want to break free” é o meu hit favorito e uma cena relembra que seu clipe foi, a priori, censurado nos EUA.

Senso de coletividade foi o que permeou e garantiu a longevidade da banda. O vocalista sempre se destacou. Porém, o filme revela, que todos os integrantes do Queen tinham seu lugar e responsabilidade. Brian May era o cara da ousadia da técnica musical. Em uma cena mostra Roger Meddows colocando moedas em cima da bateria para encrespar o som. A vanguarda se concentrou na imagem de Freddy Mercury, contudo, era característica comum do grupo.

Como quase tudo que é autêntico e inovador, assusta e costuma gerar rejeição. No caso do Queen, segundo a produção cinematográfica, o primeiro produtor não quis apostar em Bohemian Rhapsody como “música de trabalho”. Estava inseguro da mistura entre ópera e rock e do tempo de duração da música – 6 minutos. Queria enlatá-los como de praxe no mercado. Confiando no seu talento e precisando de liberdade para criar eles dispensaram a gravadora, inauguraram uma nova narrativa na música e o sucesso seguiu como parecia inevitável de acontecer.

Mercury tinha a consciência de sua vocação como artista. Pelo menos assim o filme o retrata. Sua versão cinematográfica repete algo do tipo: “estou no lugar em que sempre deveria estar”. Porém, na vida real os momentos do palco e dedicados à música, foram infinitamente menores àqueles prosaicos do cotidiano. E ao que tudo indica ele era uma pessoa só. Talvez por consequência da solidão, soava excêntrico. Colecionava gatos e cada um tinha seu próprio quarto. Promovia festas pantagruélicas. Os implacáveis tabloides ingleses, como sempre, tentaram ganhar uns trocados em cima do “será que ele é?”.

Apesar de concordar com alguns aspectos apontados pelos críticos sobre a superficialidade com que a história foi tratada, em tempos conservadorismo é lindo relembrar Freddie Mercury e puxar o fio de um grande novelo de temas que sua figura sintetiza.

Hoje as músicas do Queen estão na lista do videokê e tocam na banda do casamento. O valor do filme é lembrar que por trás de um gênio não há uma geração espontânea e sim uma soma de experiências de vida e a liberdade para existir. Quantos Freddies Mercurys estão escondidos por aí?

livro

As entrelinhas das parisienses

O estilo de vida das parisienses vêm servindo de inspiração há pelo menos quatro séculos. Atualmente mulheres como Emmanuelle Alt, Charlotte Gainsbourg e Carine Roitfeld ocupam um posto que já foi de Maria Antonieta e popularizaram “o chique sem esforço” (não era exatamente o caso da Rainha). Unindo mais este clichê a tantos outros que permeiam a cidade luz, quatro nativas lançaram “Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo”.  Uma das integrantes do quarteto é Caroline de Maigret, musa do normcore e embaixadora da Chanel.

 

Caroline, Anne, Sophie e Audrey
O livro já é um best-seller. Tem 250 páginas graças ao espaçamento triplo entre os parágrafos, as páginas em branco e fotos um pouco aleatórias. Todo o conteúdo não somaria mais 100 páginas… Mas, calma. Meu mau humor com a diagramação do livro e com o conceito de autoajuda siga-meu-estilo-de-vida-e-você-será-feliz foram contornados por algumas dicas das autoras, politicamente incorretas inclusive. A começar pela capa. Uma ilustração de uma mulher segurando um copo e um cigarro aceso. Clichê estético difundido pela Nouvelle Vague. Mais um pra lista. Em Paris, na visão delas, o fumante preserva alguma dignidade. O livro me pareceu um misto de caderno de notas, revista feminina, livro de receitas, de autoajuda. Uma caos de formatos bem divertido.
montagem feita no celular
Ao contrário do que a priori possa parecer, o estilo de vida vendido por estas parisenses  não passa pelo conceito de glamour nouveau riche, pautado no consumo excessivo e pelas alas VIPs. Segundo as autoras, as parisienses andam de metrô e de taxi. Não gastam muito dinheiro em roupa. Não têm babá. Não fazem plástica (se fazem, não divulgam). Gostam de livros, de boa cultura e de discutir política.
Tais hábitos aparecem nas entrelinhas dos textos para a catequese do estilo de vida parisiense. Separei um pot-pourri (não resisti à oportunidade de usar um galicismo) de trechos para comprovar minha teoria:

 

Ela quer chamar a atenção, mas apenas com o que diz. Sinais exteriores de riqueza intelectual.
 
Cultura é como consumir produtos frescos: deixa a pele rosada
 
A parisiense sempre tem uma boa razão para estar sentada em um banco de praça: 
Quando ela correu cem metros atrás de um ônibus que não conseguiu pegar e ficou sem fôlego em consequência deste esforço físico inesperado.
 
Você é parisiense, ou seja, melancólica (…) Você está sentada sozinha no restaurante. Não marcou com ninguém, apenas consigo mesma. Com seu livro sobre a mesa, você fixa seu olhar no horizonte, sem focar nada, sem ouvir risos ao seu redor”.

Vídeo, em inglês, ilustra algumas cenas descritas no livro:

A peça nobre não é “chamativa”, ela é a um segredo. Uma peça atemporal. Acima da moda. Que não seja exagerada, que não exiba a marca. Porque tudo que parece com letras do alfabeto é literatura reservada para os painéis dos oftalmologistas. Para a parisiense, o luxo também não deve ser exibir o seu nome.
 
A cirurgia (plástica) não é, como em alguns países, um sinal exterior de riqueza. Seu maior trunfo é ser imperceptível, e é por isso que não se comenta sobre isso em Paris.
 
A beleza na França é epidérmica. A maquiagem, pouco importa. O que conta é o que está acontecendo por debaixo dela. Faça o melhor com aquilo que a natureza ofertou para você. Tire o melhor partido da situação.
Não há a necessidade, aliás, de lava-los (os cabelos) todos os dias. Porque no dia seguinte da lavagem, ou até dois dias depois, dependendo da textura do cabelo, os fios ganham um peso que faz com que eles tenham um belo volume, quando presos em um coque.
*Revelado o segredo do cabelo oleoso charmoso. 

Há livros que você relê sempre e cujo sentido muda à medida que sua vida muda.
 
(sobre o amor)… Tanto em Paris, como em qualquer lugar é bom saber desconstruir certezas para conseguir apaixonar-se.


Esteja sempre pronta para transar. Domingo de manhã na padaria, ao comprar cigarros no meio da noite, ou esperando as crianças na frente da escola. Nunca se sabe.
 
Quando o ‘mau gosto’ é indiscutível: em uma festa perguntar a uma pessoa ‘o que ela faz da vida

*Um comentário sobre esta colocação: Quando li isso lembrei daquele personagem do Adão “O Homem Legenda”. Ele poderia aparecer quase toda vez que esta pergunta é feita, principalmente em São Paulo. Ele a traduziria para: “Com quem você se relaciona”? e/ou “Quanto dinheiro você ganha”?. A questão costuma ser colocada antes mesmo de “Como você se chama”? e também ocorre muito flexionada no gerúndio: “O que você está fazendo”? A qualidade da resposta costuma definir o futuro promissor ou efêmero dos envolvidos no diálogo.

Você não é definida por essa etapa passageira da sua vida. Essa etapa só acrescenta. Você é uma mulher grávida, o que significa que você continua a ser mulher. Mas com esse detalhe a mais.
Eis o segredo da parisiense, o que mantém suas bochechas rosadas e o sorriso em seus lábios. Seu amor pelo amor.
 
Você é anônima em sua cidade, sem identidade, idade ou profissão. Pode retomar o controle remoto da sua vida. Sentir a pulsação do seu coração, respirar, ouvir a si mesma. Não fazer nada, fazer tudo. Saborear estes momentos roubados. Eles ajudam a organizar os pensamentos, e pertencem exclusivamente a você: você é a única responsável pela sua vida.



Conclusão

As sensações descritas no livro são comuns a muitas mulheres, que se identificaram, ou se projetaram nestas quatro parisienses. Por isso o sucesso.
O tão celebrado estilo de vida das parisienses revela nas entrelinhas uma relação harmônica das mulheres com a cidade e a com a sociedade na qual vivem.
No último evento do WGSN uma das macro tendências globais apresentadas foi o neo feminismo. Segundo o escritório, não se trata apenas de ativismo e se firma como uma tendência de comportamento.  De certa forma, este livro é um item que ajuda a engrossar este coro.
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Já que as listas estão em voga: Três invejas que tenho das parisienses: (1) elas podem comprar o básico chique da Comptoir de Cotonniers, inclusive na ponta de estoque e em brechós (2) têm o Centro George Pompidou a disposição (3) têm a possibilidade de cruzar o Louis Garrel na rua – quem viu o filme “Em Paris” vai entender melhor do que estou falando. Aliás, ele tá no filme “Saint Laurent”, que é simplesmente imperdível.

 

<3

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Aconteceu em Paris
Estava em um café charmoso por fora, e levemente sujinho por dentro na Republique em Paris. A garçonete usava uma blusa de tricô com os botões deslocados para as costas. Bem charmosa. Cobicei. Perguntei à ela pausadamente (em francês): “Vocês têm wi-fi?”. A garçonete respondeu. “Se a gente tem o quê??”. Aí expliquei que gostaria de conectar meu celular à internet. Ela respondeu “ah! Você quer ‘uí-fí’!!. Tinha dito “uai-fai”, com a pronúncia em inglês. Proposital falta de compreensão ao inglês. Este caso somado a tantos outros relatos parecido formaram os clichê: “parisiense despreza o inglês”. Paris, é, talvez, o berço dos clichês e seus habitantes sabem tirar proveito deles.

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Em tempo, estava programando este post desde o ano passado e por casualidade o publico em meio as notícias sobre o horrível atentado contra o Charlie Hebdo. Paris sendo noticiada justamente pela falta de harmonia que vive atualmente. Esperamos que isso não se consolide como um clichê para os parisienses, e que as três palavrinhas mágicas – “liberdade, igualdade e fraternidade”- vençam o medo, sem precisar (como na Revolução Francesa) cortar cabeças.
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Ah! Não sou muito fã de comemorações de aniversário, mas hoje este humilde espaço completa 9 (nove!!!) anos.

 

história, livro

procura-se memória

ilustração do livro “Vestido de Menina”

As Moiras são as fiandeiras do destino.
Elas aparecem repaginadas em Macbeth de Shakespeare e controlam o fio da vida.
Penélope tecia para esperar Ulisses voltar da Odisseia.
As rendeiras teciam para esperar os pescadores voltarem do mar. “Onde tem rede, tem renda”, me ensinou a Socorro, rendeira de mão cheia de Parnaíba, litoral do Piauí.
Tecer é o exercício da paciência.

O instituto de pesquisas moda pra ler apurou em suas próprias redes sociais, posts do tipo “Alguém conhece um curso de costura?”, fotos de gente com bastidor, agulha e linha na mão, e outras cenas referenciando o “feito à mão” ou o “faça você mesmo” (na versão gourmet é “DIY”, abreviação cool de “do it yourself”).

zeitgeist da retomada de trabalhos manuais (marcenaria também anda em alta) revela que a vontade coletiva de usar mais do que as digitais para se relacionar com o mundo e com as pessoas e se proteger da avalanche de apps.

Bordado de Cindy Steiler

Fui pela primeira vez ao SP Eco Era, evento organizado pela Chiara Gadaletta, para assistir à  mesa “A Memória das Roupas”. Participaram João Braga, professor de História da Moda, Luciana Amarante do brechó ASA (Associação Santo Agostinho), Maira Zimmerman, professora e historiadora de Moda e Franz Ambrosio, dono do brechó Minha Avó Tinha. A própria Chiara mediou.

A conversa começou com as definições do que é “Vintage” e do que é “Retrô”. Vintage é a definição para uma peça de roupa antiga que representa o melhor de uma época. Já o retrô é uma peça nova com cara de outra época.

Depois o papo rumou para a necessidade de ter um museu da moda e dificuldade para conservação de têxteis. Franz contou o caso de um vestido do século XIX que aterrissou em seu brechó. Ele tentou doá-lo à várias universidades. Nenhuma aceitou. A alegação foi a falta de condições ideais de temperatura e pressão para conservá-lo. O destino final da peça foi o Museu do Ipiranga. João Braga emendou falando da coleção de vestidos de alta-costura da Eufrasia Teixeira Leite* que estão na Casa da Hera na cidade de Vassouras no Rio de Janeiro. O professor também comentou a respeito das inúmeras tentativas de se montar um museu da moda.Aqui em São Paulo já virou lenda urbana. As boas notícias vem de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro. Em BH foi criado o Centro de Referência da Moda, onde há uma área de museu, “honestíssimo”, segundo o historiador, e a colunista Hidelgard Angel está a ponto de montar um museu no Rio (se o futuro museu do Rio for como a expo da Zuzu no Itaú Cultural, vai ser incrível).

 

Bordados das Artesãs de Passira.
Elas apresentaram coleção no evento.
Fotos @modapraler

A professora Maíra Zimmerman citou o livro “Casaco de Marx” do sociólogo Peter Stalynbrass. O texto norteou seus alunos para um trabalho onde cada um deveria trazer uma peça de roupa com alguma história pessoal. Segundo seu relato a apresentação foi emocionante.

No livro, Stalynbrass revela que as roupas eram itens descritos nos inventários das famílias. Estamos falando de século XVIII e a indústria do prêt-à-porter se consolidou mesmo em meados do século XX (escrevi sobre o livro aqui). Estamos no século XXI e não sabemos de cor o número celular da nossa própria mãe. Além da memória, o celular também anda nos roubando oportunidades de observar, contemplar, conviver com o mundo e com os seres humanos (aproveito o post para manifestar que mensagens escritas e e-mails têm o dom de transformar pessoas de bom coração em seres blasés e prepotentes, como o “Senhor Volante” do Pateta).

A memória afetiva das roupas também é o mote para o documentário “Idades da Moda”, dirigo pelo Marcelo Machado e pelo Gilmar Moretti.

Ainda não entrou em circuito comercial, mas anda com exibições pontuais aqui e ali. Nele, pessoas falam sobre suas memórias afetivas relacionadas ao vestuário.  Pais falam sobre as roupas dos filhos e relembram as peças favoritas da infância por meio de fotos. Pessoas sem filhos comentam o próprio estilo e mostram fotos.  Uma das cenas mais bonitas do filme é quando um estudante de moda revela a tatuagem que fez reproduzindo um ponto de bordado da avó costureira.  Um comentário no filme me chamou a atenção: “a gente lembra do momento por causa da foto”.

Depois de ver o filme deu um medo. Há alguns anos que não imprimo fotos. A longo prazo, quando o facebook e o instagram acabarem, posso esquecer toda uma fase da minha vida.

Voltando ao museu da moda. Por que ele é importante?

A Moda começou a ser entendida como cultura no país há muito pouco tempo. Lembram do chilique que algumas pessoas tiveram em 2013 com a história da Lei Rouanet? A moda e a culinária são as manifestações culturais mais cotidianas.  Ninguém sai na rua vestido com um livro, um filme ou um quadro, mas roupa sim (fica a sugestão para performances, lembrando sempre que a Lady Gaga já saiu vestida de carne).

A moda está conquistando mais espaço no meio acadêmico. Ainda tem chão pela frente. Fico pensando se o tema também não sofre com machismo vigente na América Latina, afinal é uma área majoritariamente feminina e gay. No meio intelectual o machismo está nas entrelinhas. Mas antes de criar polêmica, a primeira premissa precisa ser investigada mais a fundo.

cartaz do 1º Seminário Nacional de Bordado da UNICAMP

A identidade também é feita de memórias. Um pouco de lógica aristotélica.  A identidade se constrói a partir de memórias. Por causa do celular estamos perdendo a memória. Logo, estamos perdendo a identidade, e talvez nos transformemos em um celular. Para construir uma identidade sólida é indicado estar bem resolvido com o seu passado. Na dúvida? Freud explica. Uma boa terapia ajuda. Se vale para o ser humano, vale para cultura de um país, que é feita por pessoas.

Reaprendendo a tecer… 
O artista Keith Hering dizia que admirava as crianças pela capacidade de se encantarem com as coisas simples do cotidiano. Se os tempos pedem renovação, literatura infantil é uma boa pedida para resgatar o olhar inocente. Estes três livros trabalham de um jeito muito bonitinho a metáfora milenar do “tecer”.

“A Menina que Falava Bordado”
O livro ensina os principais pontos de bordados por meio de ilustrações relacionadas à dinâmica do ponto. Mais fácil vendo.

 

 

 

 

 

“Vestido de Menina”

Sobre os diferentes tipos de fios que tecem a vida e sobre os nós que se formam de quando em quando.

 

 

 

 

 



“Tecidos dos Contos Maravilhosos – Contos de lugares distantes”
Acho que usam este livro em escolas porque comprei em um sebo e estava escrito “Izabelle 6º ano”. São fábulas de vários países, nas quais o ato de tecer e de costurar são metáforas para explicar algum aspecto da cultura local. Os que mais gostei foram: “Anaeet, a perspicaz”, da Armênia e o “O Casaco de Retalhos”, um conto judaico. Entre uma história e outra há um explicação sobre a tradição têxtil de cada região. Tapetes na região da Armênia e o patchwork na região onde está a Palestina e Israel. Será que a Izabelle gostou?

 

mais um!

*Eufrasia Teixeira Leite tem uma boa biografia romanceada  escrita pela Claudia Lage. Chama “Mundos de Eufrásia:a história do amor entre a incrível Eufrásia Teixeira Leite e o notável Joaquim Nabuco”. Ela foi uma das primeiras a mulher a investir dinheiro na bolsa de valores e ele foi tipo o Mister Big dela. A revista Piauí publicou uma matéria também.

Em algum dia de 2015 o blog volta… Feliz Ano Novo!
Ah! (Quase) Todos os livros indicados neste blog estão listados aqui.