música

bomba de música e estilo

Liliana Saumet, em um dos shows da Bomba Estereo

A cantora colombiana Liliana Saumet é, digamos, da turma da M.I.A, da Lovexxx do CSS, ou da jovem Lurdez da Luz. Mulheres, com cara de menina, delicadas, adeptas de guarda-roupa do streetwear, idealistas e que não passam despercebidas. É daquele tipo que passa o show inteiro correndo de um lado a outro e não deixa ninguém ficar parado na platéia. Ela é a vocalista da Bomba Estéreo formada em 2005 em Bogotá.  A banda toca uma mistura de cumbia, rock, música eletrônica embaladas pela interpretação explosiva de sua “frontwoman”.

alguns figurinos de Liliana Saumet

O figurino da cantora é muito bem pensado. Antes de pular pra cima do palco, ela se formou publicitária em Bogotá, trabalhou como figurinista de tv e chegou ter sua própria marca de roupas. No começo da banda ela mesma desenhava seu figurino. Hoje ela conta com a ajuda de uma stylist, mas ainda continua garimpando roupas pelo mundo.

Liliana publicou no instagram seus garimpos por Berlim durante a última turnê européia 

As letras do Bomba Estéreo são sensíveis, críticas, divertidas, sexies e a música ótima para dançar. Li, como é chamada, tem uma voz feminina, forte, anasalada… Daquelas bem latinas. Os versos “Deja me llorar, ya estoy cansada de bailar y bailar” (me deixa chorar, já estou cansada de dançar e dançar), “Vengo de un bário tranquilo, por eso sinto dolor” (venho de um bairro tranquilo por isso sinto dor), juntaram o adorável dramão latino com beats modernos. Altamente apropriado e moderno. As letras são muito femininistas.  Vamos lembrar que ser mulher latina é muito duro, ainda.

Para ver e ouvir:

música nova – Mate a mi novio (matei meu namorado)

update

história, música

à moda dos jovens

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Vestido com o rosto do Bob Dylan, 1968

Começou ontem no Museu do FIT em Nova York, a exposição “Youthquake! The 1960s Fashion Revolution”. A mostra conta como os anos 1960 foram decisivos para a mudança de valores na moda. Seja Mod ou seja Hippie, foi o período no qual os jovens tomaram as rédias das tendências. E não largaram nunca mais.

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botinhas com estampa dos Beatles, 1964

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meia-calça com a cara da Twiggy

Paraphernalia

Vestido da Paraphernalia

A exposição além de trazer alguns dos emblemas da década como roupas da linha Rive Gauche, de Saint Laurent, também contempla peças vendidas em boutiques que  reuniam designers independentes da época. A Paraphernalia, alí mesmo na Big Apple de outros carnavais, e um exemplo. Até 07/04 pra quem estiver em NY.

música

Miles Davis, o stylist

Foto: Anthony Barboza©
Miles Davis mostra seu guarda-roupa, 1971
Foto: Anthony Barboza©

A moda conta histórias. Adoro bater nessa tecla aqui no blog. E a trama de hoje é protagonizada por Miles Davis (1926-1991).
Fui à exposição “Queremos Miles” que fica em cartaz até janeiro no SESC Pinheiros aqui em São Paulo. Para os amantes do célebre trompetista norte-americano, uma aula, com direito a partituras originais.  Como apreciadora de jazz, mas leiga nas frenéticas regras de dó-re-mi-fa-sol-la-si-dó que envolvem o gênero, preferi olhar a mostra com os olhos da moda. E também vi em Miles Davis um ícone de estilo.
Um dos blogs do jornal inglês “The Guardian” fez uma interessante retrospectiva do guarda-roupa do jazzista ano passado, quando os 20 anos de sua morte foram lembrados:

Davis foi o homem mais bem vestido do século 20. No início de sua carreira ele já customizava ternos que comprava na casa de penhores Brooks Brothers. Fazia entalhes da lapela, como o Duque de Windsor. A partir de 1949 ele adota o estilo “Ivy League“, apostando com força na alfaiataria européia. Nos anos 1960 ele prefere os ternos italianos slim-cut e mocassins. Ele sempre foi o mais estiloso no palco. Conseguiu manter a classe de sua jaqueta cáqui, mesmo suja de sangue, após o episódio de Birdland*. Na década de 1970, seu estilo acompanha a evolução funky do seu som, e como na música ele era o único homem que segurava uma calça boca-de-sino roxa e óculos de lentes hexagonais.

para continuar lendo o texto em inglês clique aqui
*No episódio de Birdland (1959), Davis se envolveu em uma briga e acabou preso. O motivo do conflito não era aparentemente forte para tamanha agressão. Ficou evidente que o motivo era racial.
O músico incorporou a sua comunicação visual mensagens de valorização a cultura afro-americana a partir dos anos 1960. Tudo a ver com com os fatos que marcaram a década, entre tantos, a luta e a morte de Martin Luther King e o movimento Pantera Negra.
Davis optou, por exemplo, por colocar modelos negras na capa dos seus discos. E seu visual também mudou. Deixou de lado o rigor da alfaitaria e começou a usar roupas mais hippies, muitos acessórios, a lá Jimi Hendrix, sem nunca perder o estilo e imprimir sua marca pessoal. A foto aí em cima, que integra a exposição, revela seu vasto guarda-roupa.
A exposição segue até o anos 1980, nessa época Miles adota o visual exagerado da década. Passa a usar jaquetas coloridas feitas em parceria com grandes nomes da moda como Gianni Versace.
Jaquetas de Miles Davis na Exposição do SESC Pinheiros
Em resumo: do jazz clássico dos anos 40, as batidas pop dos anos 80. Para cada cada novo elemento que agregava ao seu repertório musical, uma mudança de figurino. É certo que a a roupa dá uma forcinha na construção de um mito. Miles Davis sabia muito bem disso, e gostava.